Nas zonas montanhosas e elevadas de Trás-os-Montes e Minho aparece o zimbro com frequência (Juniperus communis). É um arbusto perene com ramos a partir do solo. As hastes e os ramos são disformes e torcidos. A casca é irregular e tem uma cor parda avermelhada; a madeira é dura e aromática.

As bagas maduras de azul escuro colhem-se no tempo seco, escolhendo-se as mais claras, isto é, com menos impurezas, deitando fora as secas ou verdes.

Composição

Com respeito a substâncias activas e composição, encontra-se açúcar invertido, gorduras, resina, pectina, ácidos orgânicos, a juniperina (glicósido que tem tanino), inosita, pentosanas e um importante óleo essencial que, por sua vez, contém terebenteno, canfeno, terpineol, juniperina e outros alcalóides. O conteúdo das bagas em óleo essencial, segundo o receituário alemão, é pelo menos de 0,1 %.

Modo de actuação e usos terapêuticos

O zimbro oferece em suas bagas um antigo meio curativo. A sua acção é múltipla. Os efeitos excitantes e energéticos mais importantes recaem nos órgãos e tecidos seguintes:

a) Sobre a mucosa gastrintestinal: o óleo essencial leva a uma maior vascularização da mucosa, regula a actividade das glândulas digestivas e dos músculos da via gastrintestinal
e exerce uma grande actividade antibacteriana, porque sendo dissolvente das gorduras introduz-se nos organismos bacterianos. Os zimbros são de aplicação indicada nas diferentes
perturbações gastrintestinais c cm todos os transtornos do sistema hepático-biliar que tem relação causal com as doenças da mucosa intestinal.

b) Sobre os tecidos pulmonares e mucosa bronquial: o óleo essencial elimina-se, em parte, pelos pulmões. Actua como limitante da secreção das glândulas bronquiais e como excitante dos movimentos vibratórios da mucosa nos brônquios, de modo que a expectoração se torna mais rápida. Ao mesmo tempo, faz-se sentir a sua eficácia antibacteriana. Nos processos pulmonares infecciosos o seu emprego como meio auxiliar é muito aconselhável, sobretudo nos casos de gangrena pulmonar e de tuberculose.

c) Sobre os tecidos renais: a maior parte do óleo essencial é eliminado pelos rins, pelo que se produz uma espécie de excitação dos tecidos específicos c com isso uma maior produção de urina. Contudo, as grandes quantidades levam à irritação e inflamação c até à hemorragia. O emprego do zimbro está só indicado, portanto, para todas as doenças renais, não inflamatórias, isto é, má expulsão da urina por hidropisia, para as inflamações articulares, estados gotosos, reumatismo e enxaquecas. Se os edemas são devidos a debilidade circulatória, a acção dos zimbros não deixará dc ser plenamente satisfatória.

d) Sobre os órgãos sexuais femininos: o óleo essencial provoca um aumento da vascularização dos órgãos genitais e, por isso, dos períodos. No caso de regras atrasadas e dolorosas podem os zimbros prestar bons serviços, combinados com alecrim e arruda. Na gravidez é melhor prescindir dos zimbros , porque podia produzir-se uma irritação desnecessária da matriz e dos rins.

e) Sobre o metabolismo: o efeito excitante dos zimbros sobre as vias digestivas e respiratórias e os tecidos renais significa, em conjunto, uma forte renovação do metabolismo, de modo que a ideia popular de limpeza do sangue parece justificada. Inclusive para as doenças de indurecimento da pele, a gota, o reumatismo, as deficiências glandulares e a mistura do ácido úrico no sangue (diátese úrico), e de esperar um efeito favorável.

O emprego mais simples em todos os casos citados é a cura de zimbros de Kneipp, na qual se consomem mastigadas quatro bagas no primeiro dia, cinco no segundo, seis no terceiro, e assim sucessivamente, até ao duodécimo dia, em que se tomam quinze bagas. Depois vai-se tomando diariamente, uma baga a menos, até se chegar a cinco bagas; esta cura, repetida quatro ou cinco vezes, depura também o sangue doente.

Como meio diurético prepara-se uma chávena de infusão com uma colher grande de bagas secas prensadas ou então toma-se diariamente uma colher de xarope de zimbros.

Como condimento

Utilizam-se as bagas, aos pedaços ou moídas, para cozinhados de carne, peixe, caça, legumes, saladas cruas e para regimes, assim como para conservar a couve fermentada (choucroute). Os doentes de rins devem evitar o zimbro, inclusive como especiaria.

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