Nalgumas regiões da Península Ibérica encontra-se, espontaneamente, a Vitis labrusca ou videira silvestre. Mas o número de variedades obtidas a partir da videira cultivada (Vitis vinifera), que se exploram tradicionalmente para consumo de mesa, é enorme.

Composição

Entre os elementos activos e na composição do sumo de uvas, encontramos: água 72,92 %, albumina 0,38 %, glicose 23,51 %, outros hidratos de carbono 2,23 %, cremor tártaro 0,52%, ácido tartárico 0,29 %, outros ácidos 0,29 % e minerais 0,50 %.

O valor calórico é reduzido. 100 gramas de uvas contêm apenas 79 calorias. Também não é grande o conteúdo em vitaminas.

Modo de acção

O aproveitamento das uvas é muito variado. Não se destinam apenas à produção de mostos e de vinhos, mas também é importante o consumo cru, durante o Outono. O mosto é aplicado tradicionalmente para a depuração do sangue. Das grainhas obtém-se por pressão sumo, etc. Conseguem-se as passas vulgares, assim como as de grande tamanho, secando os cachos.

A força curativa da uva é conhecida pela humanidade, já de há muito tempo. Os vinhos de uva obtidos por pressão a cru permitem dispor, em qualquer época do ano, do meio de se efectuar uma cura de uvas completa. Há que consumir as uvas pelo modo que mais favoreça a saúde. Assim, para a cura, as uvas devem ser comidas com a casca e com as grainhas. Isto deve ser lido muito em conta, quando se segue uma cura de uvas para regular o funcionamento do intestino, pois precisamente as matérias básicas das peles e das grainhas que geralmente se deitam fora é que fomentam a actividade do intestino.

Regime na base de uvas

Para uma cura de uvas devem empregar-se os frutos bem formados, maduros, sem defeitos; a uva deve ser cuidadosamente mastigada e ensalivada, porque assim o estômago vai aumentando as secreções necessárias para a digestão, facilitando-lhe o trabalho. Muita gente pensa que é mau comer as grainhas receando apendicite, que se atribui a matérias não digeridas. Mas qualquer médico sabe, e é preciso que isto chegue ao conhecimento do público, que a apendicite obedece a causas muito diferentes.

Naturalmente, as uvas devem ser muito bem lavadas e limpas de pó, de teias de aranha e de outras impurezas, especialmente de insecticidas com matérias tóxicas.

As pessoas com boca e dentaduras delicadas sentem às vezes repugnância pelo consumo de uvas frescas. Pode resolver-se a dificuldade adquirindo o costume de as comer com um pedaço de pão integral. A salivação será muito maior. As pessoas mais velhas ou aquelas cujos órgãos digestivos são fracos, devem fazer curas de sumo de uvas, ou então de uvas frescas espremidas, ou de mosto doce (sumo sob pressão de uvas frescas sem qualquer adição de meios de conservação, esterilizado com calor moderado).

O valor curativo das uvas frescas mostra-se nas curas de depuração do sangue para a renovação de plasma, na defesa contra o esgotamento orgânico, na anemia e em todas as fases de uma convalescença. Finalmente, interessará saber que o sumo de uvas é um excelente meio contra a obesidade, inclusive, por estranho que pareça, para aumento de gorduras sobrealimentacão. Esse efeito em direcções contrárias demonstra que a cura de uvas tem aspectos contraditórios, e só terá êxito se for aplicada conforme os casos individuais.
Por isso, há que pedir ao médico as instruções exactas para uma cura pessoal.

As curas de uvas para doentes de estômago, fígado, intestino e circulação gozam hoje com razão de grande popularidade.

Nos chamados «dias de uvas» tomam-se com exclusão de qualquer outro alimento de 1 a 1,1/4 de quilo de uvas de boa qualidade, ou de 1 litro a um litro e meio de sumo (espremido fresco ou de mosto doce). Nestas curas o alimento serve também de medicina.

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