Sob qualquer das numerosas denominações populares, a urtiga (Urtica dioica) estende-se praticamente por toda a terra. Encontra-se em sebes, sarças e nos bosques. Colhem-se as tolhas uma a uma, recomendando-se o emprego de luvas. Nos talos grandes podem arrancar-se conjuntamente as folhas, arrancando-as até abaixo, mas tendo o cuidado de não incluir nenhuma inflorescência. As folhas que se põem a secar devem ser voltadas com frequência, facilitando-se assim a sua secagem. Podem tornar-se um pouco escuras, mas não devem ficar negras nem quebradiças. Guardam-se cm caixas de papelão ou em latas, verificando o seu estado com frequência.

Composição e propriedades

Os elementos activos conhecidos ate agora são: ferro, clorofila, lecitina, lanino, ou glicósido ainda não identificado, uma secretina semelhante à do espinafre, ácido fórmico, mucina, cera, caroleno, vitamina A e numerosos minerais, especialmente cálcio, ácido silfeico, magnésio e manganês. Segundo nutricionistas, o ardor é devido a uma substância análoga ao ácido resinoso e não a um corpo albuminoso.

A urtiga produz um efeito diurético parecido com o do chá preto, embora inferior. A secretina actua como excitante do estômago, do intestino, do pâncreas e da vesícula. Com o aumento das secreções dos sucos digestivos efectua-se simultaneamente uma excitação do movimento intestinal. O teor da urtiga em compostos orgânicos de ferro e em clorofila capacita-a para incitar a renovação do sangue, aumentando a hemoglobina e os glóbulos vermelhos. A eficácia é análoga à do sumo de espinafres.
Tal como acontece com as folhas de arando, também a urtiga influi favoravelmente no metabolismo do açúcar nos diabéticos, que podem poupar injecções de insulina mediante este específico natural. Naturalmente, o efeito deve ser controlado por um médico, em cada caso. Também parece comprovarem-se propriedades anti-hemorrágicas, devidas provavelmente à presença de tanino.

O efeito adstringente das urtigas faz-se notar numa série de doenças dísentéricas. Mas, em contrapartida, podem facilmente constituir um laxante, de modo que se torna lícito falar da sua capacidade como elemento normalizador do intestino. Consegue-se uma forte circulação do sangue pela pele e pelas regiões orgânicas internas golpeando o corpo com urtigas (a «urticação» dos antigos). Este aumento da circulação actua favoravelmente nos mais diversos processos reumáticos, musculares e arteriais.

Aplicações como planta medicinal

A infusão de urtigas obtida fazendo cozer durante cinco minutos folhas trituradas com 200 cm3, que se beberá três vezes por dia, é indicada nas cólicas nefríticas com expulsão de areia e cálculos, talhas cardíacas com congestão, inflamação renal, icterícia, cólica intestinal, espasmos gástricos, catarros gastrintestinais e pobreza de sangue (anemia). Deve preferir-se o suco cru nos casos de hematúria, escarros sanguíneos, hematemeses, regras excessivas e muito frequentes, e hemorragias hemorroidais, consultando sempre o médico. Nas doenças metabólicas, como a diabetes, serve de reforço, e no reumatismo ou gota serve de remédio de uso externo (urticação).

Emprego como salada

As urtigas não só têm sabor como os espinafres, como também se preparam da mesma maneira. Mas, na medida do possível, só devemos empregar folhas e rebentos tenros. Como há abundância por toda a parte, temos de ser exigentes. Podem misturar-se também com acelgas, espinafres ou armoles, conseguindo-se assim diferentes sabores. Cozem-se primeiramente as folhas inteiras em água com sal até que fiquem brandas; seguidamente, esmagam-se e cortam-se aos pedacinhos. Prcpara-se depois farinha torrada e manteiga a que se adicionam cebolas picadas muito finas e as urtigas, com adição de leite e água. Tudo isto vai ao lume, durante quinze minutos. Quem preferir renunciar à farinha torrada, tem de misturar as verduras acrescentando batatas raladas cruas. Procede-se da mesma maneira para preparar a sopa de urtigas. Cozem-se folhas tenras de urtigas, em água salgada até as amolecer; cortam-se depois em pequenos pedaços; engrossam-se com manteiga, molham-se com água quente e engrossam-se novamente com farinha, e cozem-se definitivamente, depois de acrescentar borragem, endro e pedaços de batatas.
Salada de urtigas: as Tolhas e os talos tenros, podem apresentar-se muito bem como salada; acrescentam-se em partes iguais dentes de leão, azedas e mil-em-rama, obtendo-se uma salada de primavera de grande capacidade como meio depurador do sangue.
As folhas da urtiga não contém grande força nem sabor de especiaria; empregam-se, porém, como condimento pelo seu efeito excitante sobre as glândulas dos órgãos digestivos, cortando-as em pequenos pedaços para saladas, pratos vegetais silvestres, sopas do legumes, purés de batatas, quando não se quiser consumi-las como alimento principal de salada ou guisados de legumes.

Outras aplicações

É muito conhecido o excelente efeito das tinturas de urtigas contra a caspa e a queda do cabelo. Prepara-se a tintura da seguinte maneira: coze-se um litro de água com meio litro de vinagre e 250 g de raízes de urtiga, finamente picadas, durante meia hora. Seguidamente, filtra-se o líquido. Com esta tintura lava-se a cabeça uma vez por semana, esfregando-se depois com azeite de oliveira puro.
As urtigas servem de matéria prévia barata para a obtenção industrial de clorofila com objectivos farmacêuticos e para a coloração de conservas.

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