A tramazeira, também conhecida por cornogodinho (Sorbus aucuparia), pertence à família das Rosáceas. Encontra-se na regiões montanhosas de Trás-os-Montes, das Serras do Gerês, da Estrela e de Teixoso, e no distrito de Castelo Branco.

Quando as suas bagas estão vermelhas e portanto maduras, cortam-se os cachos em umbela inteiros. Em casa, separam-se as bagas dos seus pedúnculos. Quando não se aproveitam frescas, secam-se durante alguns dias à temperatura ambiental debaixo de telha, submetendo-se depois a calor artificial até ficarem absolutamente secas. O mais prático é guardá-las em sacos, que devem ser vistoriados de tempos a tempos.

O cultivo da tramazeira foi aumentando de importância nos últimos anos, sobretudo desde que se sabe que as suas bagas são grandes portadoras de vitamina C. As bagas doces distinguem-se das silvestres e comuns porque lhes falta a matéria amarga que as silvestres possuem, pelo que se prestam sem necessidade de qualquer preparação para a confecção de marmeladas, etc. A baga comum com substâncias amargas distingue-se exteriormente da doce por pequenas e insignificantes características, de modo que o melhor é distingui-las pelo sabor, já que a forma, a cor e o tamanho das bagas não estabelecem uma clara diferenciação.

O cultivo da tramazeira apresenta poucas exigências, desenvolvendo-se em terra pobre, clima duro e nas piores condições invernais.

Composição

Nas bagas encontramos o ácido sórbico, uma substância tanínica, os ácidos málico, cítrico, succínico e provavelmente ácido tartárico. Nas sementes há um pouco de amigdalina e também nas folhas, nos cornos, nos ramos novos e na casca.

Ao passo que nas bagas comuns amargas, em média, só existem de 40 a 50 mg de vitamina C em 100g de substância fresca, na doce encontram-se de 75 a 100 mg em 100 de substância fresca. Também não se pode desprezar o considerável conteúdo de vitamina A. Segundo
medidas de Mahlo, Scheunert e Reschke atinge de 29 a 31 gramas ( 1 gamma é igual a 1 milésimo de miligrama) de provitamina A (caroteno).

O sumo de tramazeira, empregando os métodos simples de pressão, dá de 66,8 a 72,3 mg por cento de vitamina C e os frutos conservados secos ainda contêm 30 mg por cento.

Aplicações terapêuticas

Como planta curativa as tramazeiras tem as seguintes possibilidades de emprego: «As Frutas frescas utilizam-se como purgante no período de escassez, nas retenções de urina e em casos de escorbuto (elevado conteúdo de vitamina C). Os frutos secos usam-se como remédio contra a diarreia e cálculos dos rins (diariamente, de manhã, de 10 a 12 bagas, durante vários meses). O puré serve de remédio fortificante para o estômago e é também apreciado pelos seus efeitos nos casos de cálculos, transtornos de bexiga, diarreias, disenterias e insuficiência renal (uma colher das de chá, várias vezes, por dia); o sumo, o xarope e o puré são recomendados como depurativos do sangue. O sumo cozido com açúcar ou mel presta bons serviços nos catarros, doenças pulmonares, tosses e rouquidão. Tomado com água mineral é um bom remédio contra a gota e o reumatismo.»

Usos culinários

Com as bagas de tramazeira podem confecionar-se sumos, xarope, puré, marmelada, geleia, compota e pasta. Torradas, constituem um substituiu do café, melhor que o da chicória.

Distinguem-se duas etapas na maturidade das bagas: a maturidade do Verão e a «maturidade doce», que não chega até Outubro. Se quisermos saborear a fruta fresca colhida da árvore, temos de esperar pela segunda maturidade, pois é então que os seus ácidos são eficazes para tirar a sede. Para conserva prefere-se o fruto na maturidade do Verão, pois está demonstrado que a compota resiste melhor assim.

A forma mais popular de se conservar consiste em secar as bagas. Estas são muito resistentes e em lugar seco não criam bolor. Inclusivamente em lugares húmidos, apenas amolecem em circunstâncias especialmente favoráveis. No solo pode deixar-se secar maior quantidade de bagas, com a vantagem de poucas perdas cm substâncias activas. Cozidas, são muito agradáveis. A sua linda cor vermelha permanece inalterada e enfeita muito bem os pratos. Recomenda-se especialmente uma mistura com geleia de maçãs ou com café de maçãs pasteurizado. Também se pode fazer puré de tramazeira: passam-se as bagas por um triturador, sós ou misturadas com maçãs, enchendo os recipientes com produto macerado, para a sua pasteurização. Se quisermos especialmente o sumo, esmaga-se o produto macerado e pasteuriza-se em garrafas. Os resíduos que sempre ficam com elementos válidos misturam-se com puré de maçãs e depois de cozidos servem como excelente pasta para comer com pão. Consegue-se outra preparação especial passando a fruta fresca, finamente cortada, por uma peneira que só retenha as pevides e os pedaços maiores. O puré obtido é depois prensado para extrair o sumo e fica muito espesso. Se for pasteurizado fica muito duro ou quase tanto como a massa de marmelo.

Em todas as preparações, provadas e comprovadas desde há muito tempo a esta parte, as bagas de tramazeira mostram-se muito resistentes às alterações. Conservam-se sem cuidados especiais mediante um bom cozimento. Basta adicionar um pouco de açúcar ou cobrir espessamente a superfície com açúcar em pó para proteger contra o bolor e a putrefacção. O sumo deve ser pasteurizado com o maior cuidado.
Se os frutos forem colhidos muito tarde, depois de haverem passado sobre eles várias geadas, pode preparar-se com a sua polpa uma marmelada, na qual se pode misturar polpa de maçã, de pêra, de marmelo, de abóbora, de cenoura ou de amora. Deita-se-lhe açúcar na proporção de um terço ou de metade do peso. Também se podem empregar assim os resíduos da obtenção do sumo.

Quando os frutos estiverem um pouco amargos, o que acontece principalmente com as bagas pequenas, deixa-se a preparação 12 ou 14 horas na água, lavando-se depois.

Obtém-se uma saborosa compota com a seguinte receita: com 900 g de açúcar e um litro de água prepara-se uma solução, na qual se introduzem os frutos (privados já de amargor se as bagas forem pequenas) e pasteurizam-se.

Se quisermos conseguir sumo, cozem-se primeiro as bagas em água até as amolecer, espremem-se através de um pano, cozem-se com açúcar, deixam-se esfriar e colocam-se em garrafas. O sumo obtido sob pressão, de bagas cruas ou ligeiramente cozidas, é muito prático como refresco e para xarope.

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