De acordo com uma antiquíssima experiência médica e com o atual conhecimento científico, a maior parte das doenças são consequência exclusiva de uma alimentação errada, ou de hábitos alimentícios antinaturais, mantidos e alentados durante tanto tempo que chegaram a provocar doenças e dores crónicas de toda a espécie, reduzindo e inclusivamente destruindo a nossa potência vital ou a nossa alegria de viver.

A alimentação chegou a converter-se, por muitas causas, num problema complexo. A progressiva industrialização, o crescimento das cidades, os transportes para maiores distâncias e os necessários armazenamentos, são factores que conduzem, inevitavelmente, a perdas no seu valor e propriedades. O grande caminho que têm de percorrer desde o produtor até o consumidor, criou, igualmente, a necessidade de se recorrer a processos e tratamentos de conservação que, com frequência, resultam também bastante prejudiciais para o valor biológico dos alimentos.

Os hábitos de alimentação da moderna sociedade industrializada, com a sua preferência para os chamados alimentos «puros» (como o açúcar branco, a flor de farinha e o sal (comum), a grande quantidade de carnes brancas, as gorduras e os azeites elaborados industrialmente, são também culpados, em grande parte, pelo aparecimento de enfermidades da civilização, por defeitos constitucionais e por outros numerosos transtornos da saúde.

Tudo isso, felizmente, fez aparecer a figura do científico da alimentação. Explorou-se o mundo dos nossos alimentos e verificou-se que estes não só possibilitam a conservação da saúde, como também contêm propriedades curativas que até agora haviam passado inteiramente inadvertidas. Temos diante de nós a tarefa de cuidar e de conservar estas virtudes maravilhosas, mediante a produção e a transformação dos alimentos para conseguir um aproveitamento plenamente acertado de tais propriedades.

Uma série de tratados sobre a nossa alimentação permite-nos considerar as estreitas relações entre a alimentação e o organismo e ensinam-nos a procurar o remédio para os nossos males na alimentação e a valorizá-la como meio curativo. A investigação médica trabalha com afinco para conhecer o efeito dos alimentos no organismo e isolar os seus factores activos, sobretudo as vitaminas, as hormonas, os fermentos e os sais inorgânicos.

Juntamente com os processos de tratamento físico e medicamentoso, o tratamento alimentar, como base de todas as nossas medidas preventivas e curativas, tem hoje uma importância que cresce continuamente, conforme a realidade que hoje se verifica do velho conceito:

«Os nossos alimentos devem ser os nossos medicamentos»

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