O salgueiro (Sambucus nigra), pertence à família das Caprifoliáceas.

Encontra-se quase sempre na forma de arbusto ou árvore pequena, de três a seis metros de altura. O tronco possui uma casca parda e acinzentada, quebradiça, nodosa, de odor desagradável. As ramas, redondas, aos pares, uma em frente da outra, estão cheias de uma polpa espessa e branca. Os frutos são bagas de cor negra, violeta, redondas; contêm sumo negro, violeta ou vermelho, duas ou três sementes ovais e pardas.

Os cimos cortam-se à tesoura e colocam-se em cestos, estendendo-se depois numa só camada, no chão de um desvão ventilado e sombrio para secarem. Isto não se deve fazer muito devagar, se se quiser evitar o descolorido, sempre indesejável. Depois de bem secas, as flores apresentam um tom de marfim e desprendem um forte aroma. Separam-se então dos talos. Há que guardar as flores em recipientes isolados do ar, porque absorvem com facilidade a humidade e apodrecem.

Em Outubro cortam-se todos os cimos com as bagas maduras, à tesoura, e separam-se as bagas em casa com um garfo. Se não se consumirem frescas, deixá-las secar, durante alguns dias, numa única camada, expondo-as depois ao calor artificial (mas não a um forno muito quente). As bagas secas guardam-se em saquinhos dependurados ao ar ou em latas
fechadas.

Em Junho e Julho colhem-se as folhinhas dos talos. Há que evitar toda a pressão. Estendem-se numa única camada para secar, num sítio bem ventilado. Guardam-se em saquinhos. Deve-se colher só o que for necessário para o consumo.

Composição

Nas folhas, encontra-se na proporção de até 0,1 % o glicósido samburigi-amigdalina (e emulsina), o qual dá lugar a glicose, óleo de amêndoas amargas (benzaldeído) e ácido cianídrico (HCN). As flores têm, além disso, pequenas quantidades de amigdalina, saponinas, um óleo essencial e éter. Na casca encontra-se uma resina de efeito drástico e nas bagas pretas tirosinas com abundância de vitaminas A, D e C. São mais ricas em vitaminas B do que qualquer outra variedade. As bagas contêm, além disso, ácidos málico, tartárico, valeriânico, tânico, óleo essencial, simburigrina-amigdalina, solina, resinas, hidratos de carbono, glicose e um pouco de albumina.

Usos terapêuticos

Como planta curativa, já de há muito se sabe que o sabugueiro fomenta a formação de urina, suor e leite, o que se deve à presença do óleo essencial. Também se recomenda para resfriamentos, rouquidão, tosse, espirros, catarros do peito e bronquial, dores dos molares, nevralgias, dores de ouvidos e de cabeça e inflamação da laringe e da garganta.

Um cozimento de folhas, raízes e cascas frescas e verdes que se encontram debaixo da casca exterior, actua energicamente na expulsão de água e melhora extraordinariamente a secreção de sucos gástricos, embora provoque facilmente, se se tomar em grandes doses, vómitos, pelo que temos de estar precavidos. Só se deve consumir uma chávena diária (com uma colher das de sopa cheia de infusão) no caso de catarro gástrico crónico, doenças de urina e hidropisia.

Pelas suas características depurativas de sangue, hematopoiética, diurética e sudorífera, as bagas tornam-se valiosas e o seu xarope é próprio para fazer uma cura de limpeza do sangue. Também limpará todos os restantes órgãos. Por causa do elevado eonteúdo de vitamina B, não há que ficar surpreendido com o êxito dos seus sumos nas inflamações do sistema nervoso.

As bagas secas são um remédio excelente contra a diarreia: mastigar dez bagas, três vezes por dia.

O efeito sudorífero das flores de sabugueiro fica reforçado se lhe juntarmos uma metade de flor de tília e se acrescentarmos à infusão duas colherinhas de sumo de limão.

Quando se deseja uma positiva transpiração, como em casos de gripe, pneumonias incipientes, bronquite, reumatismo articular febril, etc, tomar a infusão várias vezes por dia.

Usos alimentares

Como alimento, o sabugueiro é muilo apropriado para sobremesas e compotas e pode conservar-se como sumo, mar melada e seco.

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