Pertence a conhecidíssima rosa silvestre (Rosa canina) à família das Rosáceas. A sua popularidade fica demonstrada pelas numerosas designações que apresenta. Tem muitas variedades, com as mesma aplicações, conhecidas com diversos nomes, conforme as regiões.
A roseira silvestre ou roseira-brava forma arbustos lenhosos com grandes ramos, defendidos com espinhos torcidos em forma de anzol.

É no Outono que se colhem os seus frutos. É preciso cuiiado para não se apanharem arranhões tanto nas mãos, como nos braços e na roupa. Limpam-se dos restos dos talos e das flores. Se não se consumirem frescos, devem ser estendidos numa só camada para secar. Quando estiverem secos, passada uma semana, acabam-se de secar com calor artificial, na chapa do fogão ou num forno com calor moderado. Expostos a uma temperatura alta ficam inutilizados. Devem conservar a sua cor avermelhada, depois de secos, sendo então guardados em saquinhos. A roseira-brava não tem grandes exigências quanto ao solo nem precisa de cuidados especiais; baldios, vasadouros, nos altos ou em qualquer outro terreno não utilizado, tudo serve para a plantação das roseiras-bravas.

Matérias activas e composição

Em todas as partes da planta se encontram quantidades consideráveis de vitamina C, sobretudo nos próprios frutos, que além disso contêm 3% de ácido cítrico; 8 % de ácido málico; 30% de açúcar; 25 % de pectina; assim como caroteno e um pouco de tanino, óleo essencial e pigmentos. Com medronhos e groselhas pretas, é o fruto da roseira-brava um dos frutos mais ricos em vitamina C. As suas pevides, pelo contrário, apenas contêm leves indícios de vitamina C, mas têm baunilha, ácidos de fruta e cerca de 9 % de óleo gordo.

Contém também grandes quantidades de matérias minerais, 2,7 % de proteína; 0,7 % de gordura e hidrato de carbono em abundância, em forma de celulose ou hemicelulose, gelatina vegetal que é frutose, em parte mínima. Das matérias minerais abundantemente representadas na roseira silvestre destacam-se os sais com carácter básico, antes de mais o potássio, que quase ocupa a metade, tendo também muito ferro, magnésio, sódio, fósforo e enxofre.

Reuniram os dados de textos sobre o conteúdo em vitaminas da roseira silvestre completados com os seus próprios ensaios e resumiram-nos como se segue:

Vitaminas lipossolúveis:

D: desconhecida, improvável
A: 5 mg de ᵞ – caroteno (no puré das bagas)
5-6 mg nos frutos secos com semente
E: 47 mg de a – tocoferol no óleo de semente
K: 1.000 unidades Dam (fruto fresco)

Vitaminas hidrossolúveis:

C: 500 mg (400-1.000) (fruto fresco)
B1: 100 gramas (ramos, folhas secas)
90 gramas (fruto fresco)
B2: 7 gramas (fruto fresco)
Factor PP: 400 gramas de ácido nicotínico (frutos secos com semente)
B6: Desconhecido

Valor medicinal como diurético

Deve considerar-se principalmente a roseira silvestre como remédio vitamínico e diurético, embora o modo de actuar na ruminação da urina não seja ainda suficientemente conhecido.
O seu emprego pode fazer-se sob a forma de infusão, de puré, de marmelada, etc, sobretudo no caso de insuficiência de vitamina C. Em todas as doenças inflamatórias dos rins, assim como nos casos de tendência para a formação de pedras, de cálculos e da presença de ácido úrico no sangue (diátese úrica), deve tomar-se, durante muito tempo, uma chávena de infusão de roseira brava (de casca seca) de modo regular, pelo menos três vezes por dia.

Emprego como alimento

Desde que nos tenhamos acostumado a dispor de uma reserva suficiente de marmelada e de purés de roseira silvestre, de medronhos e de groselha preta, teremos à nossa disposição preparados vitamínicos artificiais, e o problema da administração de vitaminas fica resolvido culinàriamente. As possibilidades do emprego da roseira silvestre são muito numerosas. Desempenham na alimentação dos doentes um papel importante. Para a conservação das vitaminas, especialmente a C, torna-se decisivo o método seguido. O mais simples e prático é o seguinte: os frutos bem lavados cozem-se ligeiramente, em pouca água e passam-se por um passador de fruta. Podem pôr-se a secar as grainhas residuais e serão empregadas depois em infusões. O puré do fruto bate-se com outra quantidade de açúcar durante uma hora e finalmente deposita-se em frascos fervidos. Conserva-se assim muito bem. Uma colher das de sopa, cheia de puré de rosa silvestre, tomada diariamente basta para curar a necessidade de vitamina C, num adulto. No caso de doença é necessário quintuplicar a dose. Administra-se então o puré diluído em água como bebida ou caldo.

Além de marmelada, também se prepara com o fruto da roseira silvestre, compota (sem sementes, cozido ligeiramente, e passado por um passador), molho, pasta e geleia doce.

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