Alem do rábano silvestre, a família das Crucíferas ainda nos oferece o rábano (Raphamis sativus). Como país aborígene deve considerar-se provavelmente a Ásia e como planta originária a mostarda silvestre. É raro apresentar-se no estado natural e desde há séculos que se vem cultivando.

Propriedades e aplicações

O rábano contem os mesmos elementos activos que os seus semelhantes: o rábano silvestre, o agrião e a cocleária. Tal como o rábano silvestre, o rábano vulgar estimula a função das glândulas digestivas, o que tem como consequência abrir o apetite. O seu emprego está indicado nos catarros do aparelho digestivo. Há que salientar também o excelente efeito, sobretudo o do suco de rábano, no ligado e nos condutos biliares. Aumenta a produção de bílis pelas células hepáticas, suprime as retenções biliares, influi favoravelmente nas inflamações dos condutos biliares de todos os tipos, assim como na formação de areias e cálculos. O consumo do suco fresco, durante meses, pode conseguir a cura completa do doente de cálculos biliares, desde que leve uma vida sã. É muito provável uma influência directa e favorável em todo o metabolismo.
Além de estimular a secreção biliar, o rábano também tem um efeito diurético, que se pode utilizar nos casos de acumulação de água nos órgãos digestivos, desde que não haja nenhuma doença inflamatória dos rins. Finalmente, os rábanos actuam como dissolventes de mucosidades, assim como fomentadores da expectoração na tosse persistente e seca. É portanto oportuno o seu emprego na tosse convulsa e noutras manifestações de bronquite. Nos processos tuberculosos inflamatórios agudos com febre e suor nocturno é necessário proceder com a maior precaução.

Modo de emprego

Mantém-se o princípio de que o rábano, para uso médico, não deve tomar-se com sal, mas sim com mel ou açúcar não refinado. Esvazia-se o rábano, mediante um orifício pequeno que se lhe faz na parte inferior; enche-se a cavidade com açúcar amarelo e mel e coloca-se num recipiente que recolha o suco. Toma-se este às colheres, eventualmente diluído em água quente. Cortado às rodelas e pulverizado com
sal, consome-se cru. Também é muito conveniente a salada de rábanos, de diferentes preparações. Finalmente, também se aplica na «manteiga de rábano». O rábano encarnado ou rabanete é da mesma família que o rábano vulgar, mais pequeno, de forma esférica, com casca de um vermelho vivo, mas de sabor mais suave. A sua eficácia equivale à do rábano, mas em menor grau.

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