O que ficou dito sobre a natureza desta doença deve bastar para fazer ver claramente que a presença de glicose na urina não é o fundamental. As cifras de glicose eliminada são de pouca importância, desde que não se conheça a quantidade global de glicose eliminada em vinte e quatro horas. Não é possível cessar a eliminação mesmo mediante a privação de todos os alimentos com teor de glicose. Assim só se tem feito desaparecer temporariamente um dos sintomas, mas não se produziu qualquer melhoria na própria doença. Segundo o nutricionista, a limitação de hidrocarbonatos na nutrição equivale a «jogar às escondidas com a eliminação da glicose». A glicose desaparece da urina, do sangue e dos tecidos, acrescentando assim à deficiência de insulina um segundo transtorno metabólico, a cetose.

Por isso, houve quem pensasse que se podia suprir a insuficiente atividade do pâncreas mediante o consumo artificial da insulina. Far-se-iam assim descansar os órgãos produtores de insulina, de modo que poderiam refazer-se. Mas isso não é sempre, nem sequer as mais das vezes, o acertado. Por outro lado, um grande repouso das células produtoras de insulina no pâncreas não traz forçosamente consigo uma recuperação, mas antes o ficarem prejudicadas pela inatividade, acontecendo-lhes o mesmo que se dá com os músculos quando não se empregam. A época em que se julgava ter-se encontrado a cura da diabetes na insulina já passou à história. Para todo o caso de diabetes grave deve conseguir-se não só a dose de insulina que convém ao paciente, mas também este deve antes de mais, observar estreitamente o regime. Este continua ainda a ser hoje o fator principal de todo o tratamento. Objectivo único do regime deve ser que o diabético assimile a maior quantidade possível de hidratos de carbono, porque o açúcar lhe é tão necessário como ao homem são. Para isso é preciso o suficiente consumo. Todo o diabético é capaz de absorver até uma certa quantidade. O médico deve procurar com que o equilíbrio do açúcar resulte positivo, isto é, o consumo dos alimentos deve ser maior que a eliminação pela urina. Como este fenômeno varia de doente para doente, cada um tem de ser tratado de maneira diferente.

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