O linho (Lifium usitatissimum) é uma planta de antiquíssima cultura, que já era cultivada na velha Babilónia.
Também nas sepulturas egípcias se têm encontrado sementes de linho. Parece que os Egípcios não só aproveitavam a planta por causa das sémentes ricas em óleo, como também chegaram a descobrir a confecção de fibras e de tecidos de linho, atingindo uma grande perfeição.

Composição

O óleo de linho (Oleum lini), obtido das sementes por compressão a frio, contém os glicéridos sólidos e fluidos dos ácidos palmítico, esteárico, mirístico, araquidónico, oleico, linólico, linoleico e isolinoleico, além de cera, resina, sal e compostos proteicos; possui numerosos efeitos curativos.

Efeitos terapêuticos

O óleo gordo combinado com a mucilagem das sementes trituradas converte-as num meio de normalização intestinal.
O linho triturado actua como estimulante das paredes intestinais e pela sua influência sobre a presença no intestino de bactérias tóxicas na maioria dos seres humanos. Os processos de putrefacção e fermentação normalizam-se, o que se pode facilmente conhecer pelo desaparecimento do mau cheiro nas deposições. Esta influência sobre as bactérias intestinais nunca será demais salientada.
Mediante o considerável aumento na aplicação da quimioterapêutica moderna (sulfamidas e os mais modernos antibióticos), chega-se a uma acção tão forte e contrária à flora bacteriana normal que, depois de vários dias de medicação, a deposição das fezes mostra nas análises bacteriológicas carência absoluta de gérmens. Essa «esterilização» do Intestino é de especial importância para o organismo, pois todos sabemos que as bactérias intestinais normais estão destinadas a exercer funções biológicas que ainda desconhecemos por completo, assim como a criação de importantes vitaminas. Até agora conhecemos oito sínteses vitamínicas que se devem à actividade das bactérias intestinais.
A flora intestinal refaz-se mais rapidamente depois de um choque quimioterapêutico, mediante o consumo regulador de sementes trituradas.

Aplicações e formas de uso da semente e da farinha de linho

Numerosas experiências práticas têm demonstrado o efeito anti-espasmódico , analgésico e anti-inflamatório do
linho, especialmente na forma de grãos recém-triturados. Em lodos os estados catarrosos e inflamações do aparelho gastrintestinal pode usar-se livremente. Colabora assim extraordinariamente na cura da gastrite, duodenite, úlcera do estômago e do duodeno. Mas se não se empregar o linho triturado absolutamente fresco, podem provocar-se irritações prejudiciais nas mucosas, visto o óleo de linho produzido pela trituração se torna depressa rançoso.
É de grande eficácia o emprego exterior do linho na forma de compressas e de cataplasmas de pasta de linhaça por causa da sua grande capacidade para absorver calor nos casos de inflamação, congestão hepática, assim como em todas as circunstâncias em que se indique o calor intenso. Dispõe-se a pasta em envolturas, apósitos ou pensos, mexendo a mistura até formar uma pasta espessa, que se aplicará imediatamente.
O linho é produto farmacêutico, isto é, entra nas existências obrigatórias das farmácias; faz parte das cervas emolientes misturadas» (Species emollientes) que contêm, em proporções iguais, folhas de malvaísco e malva, meliloto (trevo de cheiro), tília e linho.
As sementes de linho frescas podem também obter-se com facilidade nos ervanários e nas drogarias.

Aplicações do óleo de linho

Algumas palavras em especial merece o óleo de linho.
Espremido a frio e sem refinar é um alimento e uma medicina de primeira ordem. Como alimento não só tem um elevado valor calórico, como também é muito rico em vitaminas; por outro lado, é muito interessante o seu teor em ácidos gordos não saturados que desempenham sobretudo um papel de destaque no metabolismo, e que nos últimos anos, sob o nome de vitamina F, têm obtido grande importância como remédio de uma série de doenças da pele, como eczemas, furúnculos, varizes e crosta láctea (eczema do lactente).
Todos os dias vão tendo maior significado os óleos espremidos a frio e sem refinar, entre eles o de linho, para o tratamento dietético de doenças ulcerosas. Os ácidos gordos não saturados que contém estes óleos dificultam a multiplicação das células cancerosas.
Os regimes de óleo nos cálculos biliares fazem-se perfeitamente com óleo de linho, visto ser mais fácil de digerir do que o azeite. Para isso, tomam-se até 50 gramas. No caso de cólicas hepáticas a dose, duas ou três vezes por dia, é a de uma colher grande.

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