Mudanças na alimentação

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A alimentação natural

O decisivo e, para o nosso estudo, o mais importante são as deformações da nossa alimentação, conforme já se vêm produzindo de há séculos a esta parte. Estão estreitamente relacionadas com a civilização e a técnica.

Antigamente, os povos da Terra alimentavam-se de modos muito diversos. A base da alimentação era para uns o arroz e para outros o milho e entre nós os cereais panifiçáveis.

A necessidade de carne satisfazia-se mediante a pesca, a caça ou, na maioria dos casos, mediante a criação de gado. Nos países tropicais consumiam-se, sobretudo, gorduras vegetais,
e nos países árticos quase unicamente gorduras animais. O consumo de vegetais e de fruta dependia da região e da estação do ano em que se vivia. Mas, por muito diferentes que sejam as formas de nutrição dos povos, todas deram bons resultados, porque quase sempre conservavam a forma natural do alimento e era reduzida a proporção de alimentos animais.

A primeira deformação produziu-se com o descobrimento da América, quando conhecemos novas plantas alimentícias, como por exemplo a batata, que veio substituir em grande parte o consumo de farinhas de cereais e de pão.

 Efeitos do progresso técnico e «analítico»

O progresso técnico iniciado quase imediatamente depois do rápido desenvolvimento da indústria e dos grandes núcleos populacionais produziu, indubitavelmente, muitos adiantos
e facilitou um modo de vida, ao qual não desejamos renunciar, mas trouxe também decisivas alterações no nosso conceito de existência, sobretudo no domínio da alimentação.

O espírito de considerar analiticamente tudo através das ciências naturais levou rapidamente a uma supervalorização dos alimentos puros e nobres e a uma exagerada importância das proteínas e das gorduras animais. Chegou-se, assim, nos tempos da Primeira Guerra Mundial e até bastante depois, a um modo de alimentação cm que predominavam sobretudo o pão branco ou quase branco, a gordura animal, batatas muito cozidas e descascadas, poucos legumes e frutas cruas e o emprego de muito sal e de especiarias exóticas. Quem tinha posses para isso, comia, entre uma e outra coisa, abundante pastelaria e outros doces concentrados, e tantos outros indivíduos escravizavam-se pela habituação a numerosos tóxicos e drogas. A causa desse modo de viver e de se alimentar é antinatural e é a origem principal de muitas doenças generalizadas e de graves consequências, como o prova a consideração dos seus efeitos no organismo humano.

Caracteres prejudiciais da moderna nutrição

Para podermos conhecer os múltiplos efeitos da alimentação, temos de estabelecer as características predominantes da nossa alimentação:

Substituição do consumo de farinha de cereal por pão e batatas.
Substituição de alimentos crus por alimentos cozidos.
Substituição da comida dura por comida mole.
Substituição de alimentos naturais por artificiais.
Excesso de proteínas animais.
Excesso de gorduras animais.
Excesso de sal.
Excesso de especiarias exóticas e de produtos químicos que se empregam na apresentação e conservação dos alimentos.
Insuficiência de vitaminas e de hormonas vegetais (auxinas).
Insuficiência de sais minerais e de oligoelementos.
Insuficiência de substâncias estimulantes das paredes intestinais (celulose).
Insuficiência de pigmentos vegetais verdes (clorofila).

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