A mostardeira negra (Brassica Migra) é da família das Crucíferas. Frequente nas searas, campos e caminhos do Minho, Estremadura e Alentejo.
Em pequenas quantidades, cortam-se e atam-se em feixes os talos, a partir de Julho, depois de as bainhas adquirirem um tom amarelado; estendem-se em seguida num pano. Os grãos de cor pardacenta-amarclada caídos conservam-se secos em recipientes de vidro, devendo com frequência ser observados e agitados. A mostarda negra costuma cultivar-se também em terrenos pobres e climas duros; mas é melhor o solo arenoso que lenha húmus. A humidade do terreno encharcado é prejudicial. O esterco de cavalariça fresco afecta a formação do fruto, favorecendo o desenvolvimento da folhagem. A sementeira efectua-se logo que não haja a recear geadas. Semeiam-se em lilás de 15 cm de distância, uns 100 ou 120 g cm 100 m2. A germinação produz-se uns dez dias depois.
A colheita por cada 100 m2 é de 7 a 14 quilos. Nas grandes superfícies de cultivo, ceifa-se e enfeixa-se a mostarda madura, colocando em grandes panos sobre escadas.
Para evitar que caiam muitas sementes, começa-se a sega às primeiras horas da manhã, enquanto as plantas ainda estão cobertas de orvalho. Colocando lonas, é possível evitar a perda de sementes.

Composição

As sementes contem óleo essencial, constituído por 90 % de óleo de alho e de mostarda e de outras quantidades reduzidas de combinações sulfúricas orgânicas, além de uns 26 a 28 % de óleo gordo com ácido crúcico, oleico, linólico, Iinoleico, palmítico e lignocérico, o glicósido sinigrina, enzimas, o alcalóide sinapina, pentosanas e ácidos orgânicos.

Aplicações médicas

Conhecendo a sua eficácia em diversas doenças dos órgãos digestivos, normalizando os estados catarrais e equilibrando o funcionamento insuficiente. A sua eficácia deve-se principalmente a um aumento da circulação sanguínea nas mucosas gastrinestinais e nos órgãos glandulares. Além disso, é próprio das sementes de mostarda um efeito favorável no metabolismo. Uma cura de sementes de mostarda é recomendável em todos os transtornos funcionais de órgãos digestivos, isto é, para eructações, acidez, gastrite, úlcera do estômago e duodeno, dores e cólicas hepáticas, congestões e esclerose do fígado, inflamações crónicas dos conductos biliares, cálculos biliares, flatulências, catarros intestinais, prisão de ventre, oclusão e lombrigas. E também para todas as doenças causadas por autointoxicação intestinal que produz enjoo, dor de cabeça, subida do sangue à cabeça, cansaço, doenças cardíacas, etc.
Para isso toma-se, uma hora antes das refeições, uma colher pequena de grãos de mostarda brancos inteiros com um pouco de água fria. Vai-se aumentando a quantidade nos dias seguintes até se produzir uma ligeira diarreia, eventualmente ate três vezes por dia três colheres pequenas. Esta dose pode conservar-se durante várias semanas.

Emprego como revulsivo

Emprega-se também exteriormente a mostarda para banhos parciais, pedilúvios ou sinapismos. Para isso, envolve-se todo o corpo numa toalha humedecida em água quente, à qual se juntaram duas ou três colheres grandes de mostarda em pó.
Na forma de sinapismo, remexem-se sementes de mostarda pulverizada (farinha de mostarda) em água e aplica-se na parte do organismo que se vai tratar. Em forma de óleo ou álcool de mostarda emprega-se para fricções.
Um bom linimento para reumatismo muscular e nervoso é a mistura seguinte:

Óleo de mostarda

11,00 g

Cânfora

2,25 g

Óleo de rícino

5,00 g

Extrato de trovisco

0,75 g

Álcool

31,00 g

O glicósido do óleo de mostarda no uso externo exerce um grande efeito revulsivo na pele, que se faz notar, passado pouco tempo, por queimadura e vermelhidão. A mostarda em pó e o óleo de mostarda são, portanto, meios importantes para sistemas de cura revulsivos, que se aplicam no reumatismo articular e nervoso, assim como nas inflamações da pleura.
Também nas bronquites agudas, inflamações febris e pneumonias, o sinapismo de farinha de mostarda produz rapidamente alívio nos órgãos congestionados e estimula a respiração e a circulação.

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