A manjerona (Origamim majorana) pertence à família das Labiadas; é de origem africana e encontra-se subespontânea ou cultivada em todo o Portugal.
A manjerona necessita de um solo leve, mas nutritivo. É excelente o solo pantanoso ou semi-pantanoso.
No cultivo da horta, semeiam-se as sementes (que é melhor misturar com areia) em Março, em alfobres.
Depois das geadas de Março-Abril faz-se a transplantação para terreno livre, distanciando a planta 20 a 40 centímetros.

Com bom tempo são possíveis duas colheitas em média. Nas zonas que oferecem perigo de geadas pode proceder-se à sementeira directa em sulcos, na Primavera.
A capacidade germinativa é de 70 a 90 %. A germinação produz-se na terceira semana. A quantidade de sementeira é de 100 g por are. A distância entre as filas deve ser de 25 centímetros.
No cultivo em campo aberto, sega-se com a foice toda a planta, antes de dar flor, entre Julho e Agosto, a uns 5 centímetros do solo e deixa-se secar em pequenos ramos no mesmo campo, fazendo-se a transladação alguns dias depois para se estender numa camada ligeira ou dependurar-se em feixes até secar completamente.

As plantas cortadas não devem ficar expostas à chuva, porque perdem a cor e assim dificilmente se vendem. A colheita, por cada 100 m2, é de 24-32 quilos de planta seca. O terreno só pode voltar a semear-se de manjerona anos depois. A manjerona é própria também para o cultivo em vasilhame ou caixotes, tanto mais que para uma família média bastam algumas plantas. Há que observar o tempo da colheita que é imediatamente antes de dar flor, porque a planta possui então maior força como condimento naquela época. Os talos maiores e mais grossos separam-se, quer antes quer depois de secos. Se a separação tiver sido bem feita, a manjerona não deve apresentar manchas pardacentas. A conservação das folhas secas consegue-se nas melhores condições mediante recipientes fechados hermeticamente, para não se perder o aroma.

Composição e propriedades

As matérias activas conhecidas até agora são: 3,5 % de óleo essencial na planta seca, 4,5 % de tanino, aloés e pentosanas. O óleo essencial contém 60% de óleo de terpineol e 40 % de outros terpenos.
De acordo com os nossos conhecimentos e experiências actuais e por causa do seu teor de óleo essencial e de aloés, a manjerona contém:

1. — Elementos dissolventes de mucosidades (expectorantes).
2. — Elementos facilitadores da expulsão de água (diuréticos).
3. — Elementos que facilitam a expulsão de suor (diaforéticos).
4. — Elementos reconstituintes do estômago (estomacais).
5. — Elementos analgésicos para aplicação externa em neuralgia.
6. — Elementos sedativos sobre o estômago e intestino (carminativos).
7. — Elementos que aumentam a produção de leite nas mães lactantes.

Aplicações

Como planta medicinal, a manjerona é um meio suplementar na debilidade digestiva, nas flatulências, cólicas gástricas e intestinais, nas regras defeituosas, nos transtornos na expulsão da urina e nos resfriados. Nas corizas crónicas e para o tratamento de feridas pode utilizar-se um unguento de manjerona, tal como é preparado nas farmácias. É popular o emprego do óleo de manjerona nas varizes, na gota, no reumatismo e nas doenças glandulares. Como especiaria, a manjerona possui um forte cheiro aromático e pronunciado sabor de especiaria. Consome-se gostosamente como condimento nos purés dc legumes, lentilhas e feijão, juntamente com tomilho e basílico, assim como para a confeção de molhos. Também não e rara a sua utilização em saladas e legumes, verduras cruas e regimes dietéticos. Há, porém, que ser empregada em pequenas doses para não se notar excessivamente o seu sabor.

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