A maçã (Pitus malus) já era conhecida e apreciada entre os povos cultos da Antiguidade. Encontramos o seu cultivo tanto entre os Israelitas, Gregos e Romanos, como entre os nossos mais remotos antecessores. Da Idade Média temos numerosos testemunhos que nos informam sobre o alto nível do cultivo da maçã e mais especialmente acerca do cultivo da maçã silvestre. Em numerosos cruzamentos com tipos da Europa, Ásia e Ultramar, apareceram as variedades hoje conhecidas, que passam de 600. Muitos milhões de maçãs proporcionam hoje não só um apetitoso alimento como também uma valiosa matéria-prima para numerosos ramos de indústria, como sejam os fabricos de marmeladas e de sumos.

Botânicamente, a maçã pertence à família das Rosáceas que nos é de muita utilidade.

Composição

Embora a análise química nos dê uma imagem débil da eficácia da maçã no organismo vivo, contudo é bom conhecê-la para permitir uma comparação com outras espécies de frutas. Em média obtém-se os seguintes valores na maçã crua:

 

Por cento

Água

83.9

Proteína

0.4

Gordura

Hidrato de carbono

13.3

 

 

Por cento

Amidos de fruta

0.65

Minerais

0.6

Excesso de bases

1.7

Calorias

59

Além do sódio, potássio, magnésio, fósforo, enxofre e cloro, provou-se a presença do ácido salicilico e de alumínio. A isto juntam-se as combinações dos ácidos da fruta que condicionam o seu grato perfume e a pectina, fécula que pode reter um grande volume de água. A maçã atingiu nos últimos tempos a sua plena consideração como meio insubstituível de cura, embora já fosse famosa em todos os tempos pelos seus efeitos curativos.

Efeitos e emprego da dieta de maçã

Hoje o regime na base de maçãs faz parte dos recursos dietéticos mais eficazes de qualquer médico. O processo aplica-se geralmente de modo que em casos de catarro gastrintestinal, disenteria ou paratifo, se rale de duas em duas horas, ou até oito vezes diariamente, uma maçã madura com a pele, no ralador, de vidro se for possível, dando-a a comer ao doente.
Podem ingerir-se assim, de 1 a 1,350 kg, renunciando em absoluto a qualquer outro alimento ou medicamento. O inchaço coloidal ao reter a água produz a maravilhosa cura numa harmoniosa colaboração com as substâncias estéricas, os ácidos da fruta, o tanino e os minerais. A dieta de maçãs actua como uma esponja de grande capacidade de absorção. A maçã incha absorvendo água e produtos intestinais tóxicos, evitando desta forma a sua rápida absorção através do intestino. O grande conteúdo em tanino da maçã actua como adstringente contra a inflamação.

O puericultor, perante os êxitos, dedicou-se à comprovação sistemática dos casos infantis de diarreia e disenteria. Administrou, em dois dias, doses de 200 a 300 g, cinco vezes diárias, de maçã ralada num ralador de vidro, descascada e sem as sementes. Este processo totalmente inócuo actuou de modo surpreendentemente rápido em diarreias de diferentes tipos, satisfazendo completamente as necessidades de alimento e líquidos. Mantendo constantemente o consumo de maçãs, passa-se depois dos dois dias de dieta para a alimentação usual. Quando não se dispõe de maçãs frescas, pode estabelecer-se também esta dieta com um específico de xarope de maçãs que se encontra nos ervanários e nas farmácias.

O descobrimento da pectina na casca da maça, que introduzida na circulação sanguínea tem a propriedade de acelerar o processo de coagulação, transformou-a num remédio de assombrosa eficácia para a hemofilia. Geralmente nos hemofílicos, uma pequeníssima lesão pode provocar uma interminável hemorragia; consegue-se, porém, com preparados de pectina provocar a coagulação do sangue, ao cabo de poucos minutos. Por outro lado, a pectina, como substância amilácea, tem a maior importância na indústria de marmeladas e conservas, já que sem ela as marmeladas e gelatinas têm de cozer durante muitas horas com grandes perdas de matérias activas. Mas não é só neste ramo industrial, mas também na pastelaria, na confeitaria, indústrias lácteas e padaria, que a pectína desempenha um importante papel.

O emprego médico da maçã não se limita apenas ao tratamento das doenças disentéricas e hemofílicas.

Um médico conseguiu excelentes resultados com dois ou três dias de fruta em inflamações renais, hidropisia, doenças do coração e dos vasos. Fazia consumir 1,350 kg de maçãs em compota doce. Esta alimentação favorece os rins, o coração e o fígado. A pobreza da maçã em sal e em proteínas pode ser vantajosa para reforçar um regime de emagrecimento. Um regime de emagrecimento típico é o do pão escuro e da «compota laxante». Digno de citar é também o vantajoso emprego da maçã nos anémicos e nos intelectuais, por causa do seu conteúdo de arsénico, ferro e fósforo. Também a criança que come com regularidade uma maçã por dia ficará notavelmente protegida contra as infecções.

O sumo de maçã é, como todos os sumos doces, uma bebida refrescante, que os intelectuais e os doentes deviam tomar, em lugar de café e bebidas alcoólicas, e também constitui, além disso, um remédio tónico e sedativo, pelo que o neurólogo resolveu empregar a cidra de maçã combinada com o seu consumo em cru para todas as enfermidades inflamatórias do sistema nervoso central. A perigosa prisão de ventre crónica pode ser tratada, praticamente com êxito, mediante o consumo, três vezes por dia, de meio boião de cidra doce, antes de cada refeição,
devendo-se seguramente a sua acção à influência que exerce sobre as colónias bacterianas do intestino.

A infusão de maçã exerce como bebida diária um efeito fortalecedor e tónico, que convém ser utilizado como reforço na gota, reumatismo, doenças de fígado e rins, hipertensão, transtornos cardíacos e erupção cutânea. Pelo seu conteúdo em fósforo constitui a infusão de maçã um alimento natural para o sistema nervoso, especialmente para as crianças.

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