O autêntico loureiro (Laurus nobilis) encontra-se actualmente espalhado por todos os países do sul da Europa, onde adquiriu grande importância económica. Os ramos e as folhas empregam-se desde a mais remota antiguidade como símbolo de honra.
O loureiro forma arbustos ou árvores que podem chegar a atingir 10 metros de altura.

Composição e propriedades

As folhas aromáticas contem na maior parte dos casos 1 % de óleos essenciais, substâncias aromáticas e 5 %, no máximo, de cinzas. Costumam empregar-se secas como condimento. Uma chávena de infusão feita na base de 5 g de folhas secas em lá litro de água emprega-se como remédio nas dores de estômago e nos vómitos.
Os frutos contêm até 40 % de substâncias gordas com 1 % de cinzas. Também se empregam os frutos frequentemente na cozinha como condimento. Na medicina emprega-se como regulador do apetite, devido às substâncias amargas que contém.
O pó de frutos de loureiro emprega-se como especiaria estomacal e diurética em uso interno, e no exterior como unguento nas hemorróidas.

Forma de emprego e aplicações

Mediante pressão e cocção obtém-se a partir dos frutos um unguento ou óleo de loureiro que forma uma mistura de gorduras e de óleos essenciais, com aspecto de sebo verde. A cor verde provém da clorofila (que, como se sabe, é a substancia fundamental das folhas verdes), que permanece no óleo. A composição do óleo é constituída por 2,5 % de óleo essencial, clorofila, substâncias amargas e glicéridos dos ácidos láurico, palmítico e oleico (as gorduras são ésteres da glicerina com ácidos gordos).
O óleo essencial é composto, por sua vez, por 50 % de lineal ou eucaliptol, que é uma substância líquida, rica de oxigénio, incolor e com um cheiro parecido com o da cânfora e que tem a propriedade de ser facilmente solúvel em éter, clorofórmio, álcool, essência de terebentina e óleos gordos, sendo, além disso, antisséptica, expectorante e anti-helmíntica. As restantes substâncias contidas no óleo essencial também são muito ricas em oxigénio, como o é o metil-eugenol (fenol), o geraniol e o lincol (álcoois). Finalmente, contém o óleo à volta de 12 % de terpenos e sesquiterpenos que derivam do cimol, dando hidrocarbonetos da série do cicloexano.

Outros usos e contra-indicaçoes

O óleo de loureiro utiliza-se na medicina como massagem cutânea nas doenças reumáticas da pele e como meio protector contra os insectos.
Pelo seu teor de óleos essenciais, o óleo de loureiro pode dar lugar a reacções alérgicas. Também é, como acontece com o óleo de bergamota, um sensibilizador aos raios ultravioletas. Por uma forte irradiação solar pode originar-se a doença de Berloque, que consiste numa inflamação cutânea com uma estratificada coloração parda da pele, especialmente no pescoço, peito e braços.

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