Uma planta alimentar de grande interesse é a juncinha mansa (Cyperus esculentus), tubérculo de uma ciperácea, que em Portugal também é conhecida por junça de comer, juncinha avelanada e chufa. Embora botânicamente não possa figurar entre os frutos de noz, temos de a incluir aqui por causa da sua semelhante aplicação.

Este tubérculo constitui, como a soja, uma rara concentração de alimentos.

Composição e propriedades

Além de ser uma planta herbácea, dá vida a numerosos tubérculos de grande riqueza nutritiva, cuja análise sobre matéria seca dá os seguintes valores: gordura, 20-24 %; proteína bruta 3-6,5 %; fibra bruta, 15.23 %; féculas, 2-3%; vitaminas (especialmente H e P) e numerosas enzimas.

O azeito que se obtém da juncinha corresponde em todos os aspectos aos melhores de mesa, incluindo o de oliveira, sem secar nem tomar ranço com facilidade e com sabor análogo ao da noz ou da amêndoa. Como possui um grande conteúdo de ácidos gordos não saturados (sobretudo 15,2 % de ácido linólico) é de grande valor fisiológico e alimentar, segundo já se disse no capítulo referente ao significado das gorduras. Para o aproveitamento da gordura é necessário, ao mesmo tempo, o consumo de hidrocarbonatos. A relação favorável entre gorduras e hidrocarbonatos é de um para dois, isto é, se se administram 50 gramas de gordura há que administrar também 100 gramas de hidratos de carbono. A natureza consegue esta óptima relação no leite das mães lactantes, que contém 3,5% de gordura e 7 % de hidratos de carbono. O mesmo valor quase aproximado se repete na juncinha que em termo médio contém 22 % de gordura e 50% de hidratos de carbono.

Emprego da juncinha nos diabetes

Ao que parece, nunca se efectuaram investigações muito minuciosas acerca do conteúdo de vitaminas e minerais na juncinha e no seu azeite; mas, se se fizessem, levariam a resultados interessantes e valiosos, com respeito à importância alimentar e fisiológica da juncinha.

Para o emprego na alimentação, e de indicar que dos tubérculos secos se obtém uma farinha excelente para a preparação de «bolachas ou biscoitos de amêndoas», que são especialmente úteis par os diabéticos. Da mesma maneira que das amêndoas, também da juncinha se pode obter um leite vegetal saboroso e refrescante. Diga-se de passagem que a juncinha se emprega na preparação de chocolate e como substituto do cacau e do café.

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