Insuficiência de vitaminas e de hormonas

300px Cobalamin.svg  300x300 - Insuficiência de vitaminas e de hormonas

A necessidade em vitaminas

 O conhecimento das vitaminas é ainda muito recente e ainda não chegou a conclusões definitivas. O seu propósito principal é o de fixar a necessidade diária real de cada vitamina. Essas quantidades servem para cobrir o estado de insuficiência produzido por uma alimentação incompleta, desgaste, excesso de trabalho e gravidez. Em doses normais, constituem todas as vitaminas, juntamente com as proteínas, os fermentos e outros elementos, «as substâncias fundamentais» da vida tão importantes na estrutura e regulação do metabolismo. Já dissemos que os chamados processos de refinação e aperfeiçoamento, entre eles a cocção e a conserva, levam a uma perda de vitaminas muitas vezes em proporção considerável.

Não é necessário pormenorizar os diferentes sintomas de avitaminose, pois fá-lo-emos no devido lugar. Basta referir aqui a insuficiência da vitamina A que, além das consequências características para a formação da pele e das mucosas e da capacidade para aumentar a resistência contra os agentes infecciosos, toma parte na formação da púrpura retiniana e na adaptação do olho à escuridão, actuando também na regulação da tiróide e no fígado. Dadas estas funções, compreendem-se as afecções que a falta ou a insuficiência prolongada da vitamina A podem produzir.

Este exemplo apenas pretende demonstrar as consequências da insuficiência de uma só vitamina, mas pode considerar-se representativo dos outros casos. Os sintomas típicos descritos que a falta da vitamina A pode provocar não se apresentam com frequência na prática, porque na alimentação sempre se inclui uma certa quantidade de vitaminas ou de provitaminas e o nosso corpo sabe e pode adaptar-se a um estado de insuficiência dentro de limites muito amplos e durante bastante tempo.

É difícil produzir um excesso de vitaminas no organismo

 Antes de mais, há que resolver o problema da possibilidade de se produzir também a absorção excessiva de vitaminas, e neste caso se esta pode causar danos. À primeira parte do problema proposto pode responder-se que nunca se produzirá um consumo excessivo de vitaminas, sempre que nos sirvamos de fontes vitamínicas naturais, como são as dos comestíveis. Uma hipervitaminose pode produzir-se artificialmente pelo consumo de preparados vitamínicos concentrados. Utiliza-se a absorção excessiva de vitaminas para regimes curativos, com o que se prestam actualmente excelentes serviços, embora ainda haja pouca experiência com respeito ao efeito de doses elevadas de vitaminas, nem seja ainda possível encontrar explicação para tais efeitos. O seguinte quadro abreviado permite um rápido olhar para o conceito actual das necessidades diárias de vitaminas e as quantidades que se empregam para obter esse objectivo com um tratamento médico.

Vitamina

Quantidades necessárias para adultos

Doses maciças de efeitos fármaco-dinâmicos

A

5 000- 8 000 U. I100 000-600 000 U.I. por dia

B1

1.23-2.5 mg100 mg por dia

B6

1-2 mg100 mg ou mais, por dia

C

75-150 mgAté 4 mg por dia

E

10-25 mg300-900 mg por dia

 

Assim, por exemplo, mediante a administração de 3000 a 5000 U. I. (Unidades Internacionais) de vitaminas A e 30 a 50 mg do vitamina C por cada quilo de peso do corpo, pode fazer-se mais lento o desenvolvimento do cancro. Com 100000 a 600000 U. I. de vitamina A, tratam-se as variadíssimas doenças inflamatórias e degenerativas da pele, das mucosas e dos olhos. A vitamina B1 em doses diárias de 100 mg e mais influi nas inflamações nervosas graves, ao passo que a B6 emprega-se nos vómitos por diversas causas (incluindo a gravidez) e noutras lesõesde origem radiactiva, com êxito.

Disto deduz-se, naturalmente, que os estados em que influem grandes doses de vitaminas não se teriam provavelmente produzido, se anteriormente se tivesse disposto permanentemente das quantidades necessárias de vitaminas na alimentação.

 Papel das hormonas vegetais no organismo animal

 Assim como conhecemos nas plantas, sob o nome de auxinas, substâncias que excitam a divisão dos núcleos celulares, causando a multiplicação de células (entre elas figura, por exemplo, a vitamina B,), também conhecemos agora matérias em animais e homens com a mesma função denominadas «auxonas» (entre as quais figura, por exemplo, o ácido pantolénico, um factor do grupo da vitamina B), cuja falta na alimentação e os seus efeitos na alimentação humana descreveu pormenorizadamente o nutricionista.

Nas suas experiências com ratazanas verificou que, submetidos a uma alimentação completamente desnaturalizada, os animais conservam a vida, mas só em estado de saúde mediana, num estado de seminutrição que denomina mesotrofia (hiponutrição). Os animais receberam só alimentos refinados, sem outros minerais que o zinco e o fosfato de potássio, e entre as vitaminas só pequenas quantidades de aneurina (vitamina B1). O regime mostrou, pois, equitativamente, as características da comida do homem civilizado. Com esta dieta, os animais desenvolveram-se e atingiram a idade normal, mas bem depressa mostraram sintomas de degeneração: queda dos molares, pobreza de minerais nos ossos, alterações patológicas na flora intestinal e prisão de ventre crónica. Se se juntarem as vitaminas já conhecidas à alimentação, o estado de saúde não melhora. A característica mais saliente de tal estado é a insuficiente energia regenerativa das células. A análise cuidadosa dos animais mortos demonstrou alterações anatómicas notáveis nos mais diversos órgãos, extraordinariamente semelhantes às doenças degenerativas dos homens.

E vem agora o mais interessante. Se aos alimentos se acrescentassem vegetais verdes, pastas de grãos de cereais ou leveduras, impedia-se o estado de hiponutrição. Num espaço de tempo não muito grande o estado era mais satisfatório e, inclusivamente, era possível a recuperação da saúde.

Os fermentos, chave essencial do metabolismo

Não nos parece que arrancámos à natureza, com a investigação sobre as auxinas, o seu último segredo, acerca dos efeitos da nutrição. É, por isso, necessária a investigação daqueles factores que nos levam à saúde total. É hoje tão importante tal investigação, como a ampliação dos já tão diferenciados métodos do diagnóstico e da sua aplicação. Não só é mais fácil prevenir do que curar, como além disso se torna mais económico tanto para o indivíduo como para a sociedade.

Vamos agora referir-nos de novo e brevemente aos fermentos, maravilhosa chave no mundo da alimentação, visto a alimentação corrente ser pobre deles, pelo que já falámos, com razão, da deficiência da civilização no tocante a fermentos. A bioquímica moderna conseguiu descobrir a sua estreita relação com os factores hereditários.

Com a ajuda dos fermentos que o corpo são produz em quantidades suficientes, pode o organismo desdobrar as substâncias alimentares ingeridas e, posteriormente, assimilá-las. Mas da mesma maneira que cada fechadura tem uma chave também os diversos e numerosos alimentos precisam, cada um deles, de uma «chave» especial. Os fermentos só desempenham a sua função de «chave» quando têm o «modelo» conveniente. Ora isto é feito pelas vitaminas. É muito provável que os oligoelementos desempenhem nisso o seu papel. É só quando o fermento está unido a uma vitamina companheira que se constitui a varinha de condão para o aproveitamento de determinados alimentos. Assim, conhecemos fermentos que desdobram o amido (amilases), que degradam as moléculas proteínicas (proteases), outros que dividem as gorduras ou substâncias semelhantes às gorduras (lipases) e, finalmente, fermentos que fixam o oxigénio dos alimentos (oxidases).

É evidente que o metabolismo tem de ficar incompleto se não se adicionarem vitaminas aos alimentos, cuja função é a de formar os fermentos para a sua correspondente missão. Se, pelo contrário, o organismo não estiver em condições de formar os fermentos necessários, o que não pode conseguir-se sem as valiosas moléculas de proteína, as vitaminas não produzirão efeitos. Só a proteína sem se desnaturalizar é que é eficaz para a formação de fermentos. Uma insuficiência de fermentos no organismo pode ser superada pela riqueza da alimentação em fermentos próprios, já que o alimento cru e natural está dotado pela natureza de fermentos próprios. Os fermentos nos alimentos vegetais consumidos crus compensam os ácidos clorídricos do estômago e influem, de modo decisivo, na digestão.

 Os fermentos são facilmente alteráveis

Há que insistir em que, mediante a cocção, o assado, o fervido, o frito, as conservas e todos os aditamentos químicos destes processos destroem os fermentos próprios dos alimentos que actuam no metabolismo. O predomínio de alimentos cárneos e cozinhados tem de levar a um metabolismo incompleto e, finalmente, a desordens neste e à formação de fermentos.

Ninguém é capaz de imaginar a potência destas substâncias activas sem saber que as mudanças químicas que sofre, por exemplo, uma batata devido à actividade dos fermentos, só seriam efectuadas sem eles num período de quatro meses a uma temperatura de 400º C. Os fermentos desempenham o papel de pequenos «feiticeiros» bioquímicos. Realizam sem  esforço a transformação dos alimentos, processo este que nós, quimicamente, só podemos efectuar empregando pressão elevada, temperatura alta ou muito tempo.

Como utilizar os fermentos

 O nosso corpo necessita de todos os componentes naturais precisos para a renovação contínua de fermentos de toda a espécie. Basta faltar um fermento com a sua missão totalmente específica para se interromper uma complicada cadeia metabólica, ficando incompleta. De onde é que o organismo obtém a totalidade desses elementos? Só uma alimentação completa, baseada no natural e que proceda de um solo são. Quem concluir de tudo isto que a nossa saúde depende do cultivo da horta encontra-se no bom caminho. É um facto desconsolador que a maioria dos homens desconheça o potencial alimentar e curativo de uma horta. Sofre assim de uma «insuficiência de fermentos pela civilização», fácil de reconhecer pelos seus numerosos sintomas, como peso no estômago, mau cheiro na boca, sensação de saciedade, ardor no estômago, pele seca e descorada e as suas numerosas formas de exteriorização, como transtornos digestivos e doenças do estômago, intestinos, fígado, vesícula biliar e glândulas salivares. Os sumos e aperitivos crus, a fruta e as verduras são os meios certos de previsão, cura e recuperação.

Comentários