Não vamos falar aqui da obesidade causada evidentemente pela inatividade e superalimentação, isto é, devida à falia de movimentos e ao consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras e que portanto, só se pode corrigir mediante mais trabalho corporal e mais parca alimentação. As nossas reflexões vão mais dirigidas para os numerosos enfermos que, apesar de realizarem um forte exercício físico e comerem pouco, acumulam, contudo, quantidades molestas de gordura.
As gorduras ingeridas com os alimentos passam momentaneamente sem transformação pelo estômago (como todos sabem, consumidos em grande quantidade tornam o estômago pesado), e é só no duodeno que se transformam numa fina emulsão sob a influência da bílis e, alem disso, são saponificadas pela secreção pancreática, isto é, desagregadas em glicerina e ácidos gordos. Nesta forma podem os componentes atravessar as paredes do intestino, passadas as quais voltam a transformar-se em gordura e, mediante o sangue, a introduzir-se no fígado.

Contudo, provavelmente uma parte da gordura, quando se apresenta em grande quantidade, atravessa sem transformações as paredes do intestino. A gordura introduzida nos pequeninos lóbulos hepáticos é segregada imediatamente pelas células exteriores em forma de gotas finíssimas; seguidamente, as células centrais elaboram a gordura. Em muitas pessoas, as células hepáticas já não dominam as gorduras, mas só a segregam sem a elaborar. Dessa maneira o fígado vai-se tornando cada vez mais gordo. Mais tarde, a acumulação de gorduras vai-se estendendo pelos tecidos adiposos subcutâneos e nos músculos cardíacos. Finalmente, o coração vê dificultado o seu funcionamento e o fígado também não realiza bem o seu trabalho de combustão. Se não se interromper a retenção de gorduras, a irrigação sanguínea dos órgãos é cada vez menor, e em todas as partes produzem-se alterações metabólicas, acabando o doente por sofrer de qualquer das formas de doença grave do metabolismo. Merece, pois, a pena procurar uma mudança e vencer o mal.

Em quase todos estes casos ficam afetadas nas suas funções as glândulas endócrinas, especialmente a tiroide. Como o iodo se encontra de certo modo relacionado com a tiroide, segue-se que as plantas que contêm iodo são muito proveitosas. Se a uma planta com rico teor de iodo, como são as algas, se acrescentarem vegetais que depurem o sangue e promovam a digestão, obtém-se a chamada infusão de desjejum ou de desengordar, que poderemos preparar com 50 g de mil-em-rama e 20 g de rebentos de visco. Prepara-se assim uma cocção, calculando uma colher grande de ervas por cada chávena de água. A infusão vai-se tomando aos sorvos durante o dia, ou então toma-se uma chávena de manhã e outra ao meio-dia.
Esta mistura c muito boa para as senhoras que depois da idade crítica apresentam tendência para engordar.
Naturalmente, há que respeitar um determinado regime se quiser obter um resultado perdurável.

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