À família das Umbelífcras pertence o funcho (Foeniculum officinale), que no estado silvestre se encontra nas sebes, margens dos campos, entulhos e entre as rochas em todo o Portugal.
No Outono, corta-se a planta a 5 cm do solo, desenterram-se os renovos e dispõem-se atados numa cova que se recobre cuidadosamente com palha ou terra. Na Primavera do segundo ano transplantam-se as plantas mais desenvolvidas para o campo propriamente dito, onde as flores e os frutos amadurecem.
Plantam-se de dois em dois à distância de 50 a 70 centímetros. O tempo da germinação é de três semanas. Os frutos amadurecem a partir de Setembro. As umbelas centrais, que são as primeiras, formam os melhores frutos. A época principal de colheita é o mês de Outubro. O teor de óleo essencial aumenta durante a conservação durante todo o Inverno.

Composição e propriedades

O óleo contido nos frutos na proporção dc 4,5 % deve ser considerado o principal elemento activo. Encontram-se, também, no funcho, de 9 a 12 %, óleo gordo, proteína, fécula e açúcar. O óleo de funcho consiste sobretudo em 50 a 60 % de anethol, um derivado de fenilpropano, além de diferentes compostos terpénicos, d-pineno, dipenteno, canfeno, d-limoneno, etc. O pineno, numa proporção aproximada de 20%, produz o sabor amargo e canforado. O efeito é principalmente determinado pelo óleo essencial, sobretudo pelo anctol que constitui um bom meio de expectoração. Acelera a actividade dos epitélios vibráteis das vias respiratórias. Além disso, o óleo possui a capacidade de eliminar as flatulências e fomentar a digestão. O emprego popular de cozimentos de funcho nas inflamações das pálpebras não está cientificamente comprovado.

Emprego como remédio

O funcho é proveitoso no catarro bronquial, asma, tosse renitente, flatulência intestinal, astenia gastrintestinal e prisão de ventre crónica.
No emprego como infusão expectorante, misturam-se para maior eficácia 26 g de funcho, 25 g de líquen e 25 g de malvaísco; deita-se sobre uma colherada desta mistura uma chávena de água fervente; deixa-se repousar durante quinze minutos e bebem-se, durante o dia, várias chávenas quentes.
Para emprego como infusão contra as flatulências, misturam-se 25 g de funcho, 25 de anis, 25 de coentro e 25 de cominho; prepara-se uma infusão com uma colherada desta mistura, e tomam-se uma ou duas chávenas por dia.
Só com os frutos, prepara-se uma bebida com água ou leite, que as mães gostam de dar aos pequenos para combater os flatos e resfriamentos.

Emprego como condimento

Os rebentos recentes empregam-se muito na Europa Meridional como verdura. Trata-se quase sempre não do funcho de especiaria (Foeniculum vulgare ou officinale), mas sim do chamado funcho comestível ou doce (Foeniculum dulce).
Como condimento os frutos têm os requisitos necessários. Empregam-se inteiros, porque partidos ou moídos perdem o aroma. Os frutos ou o óleo que deles se obtém empregam-se como condimento popular, principalmente em confeitaria, sopas, flans, pudins. Também se empregam os frutos e os gomos meio maduros com agrado para juntar aos pepinos, a choucroute, quase sempre em combinação com endro e estragão. As folhas tenras e os gomos recentes constituem um aditamento para saladas, pepinos e molhos de ervas. As folhas, sós, são uma boa guarnição para pratos frios.

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