Os feijões (Phaesolus vulgaris) pertencem à família das Leguminosas e possuem um talo alto que se enrola para a esquerda, ao passo que o feijão anão (Phaesolus nanus) é uma planta com um talo só de 30 a 50 cm e que não se enrola. É muito comum em Portugal.
Muito antes do descobrimento da América, já ali se cultivava o feijão. Os espanhóis trouxeram-no para a Europa, no século XVI, mas não se lhe prestou a princípio grande atenção. Mais tarde, ocupa o lugar da fava (Vicia faba), tão apreciada pelos Germanos.

Algumas espécies consideram-se tóxicas se forem consumidas cruas. A toxicidade varia conforme a espécie, a região e o clima, e é devida à presença de ácido cianídrico na faseolina, que desaparece completamente mediante a cocção. Nem o feijão verde nem as suas sementes se podem comer a cru.

Composição e propriedades

Se considerarmos a sua análise química geral, salienta-se a sua riqueza cm vitaminas, sobretudo C, e em matérias minerais (ácido salicílico), oferecendo, em troca, pouca riqueza nutritiva (proteínas) e poucas calorias. Este baixo teor calórico de combinação com a abundância em vitaminas e minerais e com uma elevada percentagem de componentes celulósicos, fazem do feijão um elemento especialmente apropriado para as pessoas obesas com atonia intestinal, desde que não seja preparado com toucinho, como é costume.
A medicina popular considera favorável o efeito do caldo ou infusão de vagens secas de feijão em: 1) hidropisia das mais diversas origens (coração, rins, gravidez); 2) doenças reumáticas (reumatismo crónico, ciática e gota); e 3) diabetes.
Muitos nutricionistas confirmam o efeito semelhante à insulina da infusão de vagens de feijão, mas depois dos seus próprios ensaios clínicos com análises contínuas consideram insuficiente a curva de açúcar no sangue e a expulsão de açúcar pela urina. Até agora supõe-se que os factores activos a este respeito são faseolina, faseol e arginina para a redução de açúcar no sangue e na urina.

Composição do feijão seco

O feijão branco seco contém uma proporção em proteínas (22%) e em hidratos de carbono (62%) muito semelhante às ervilhas secas e às lentilhas, com as quais também se parece na quantidade de calorias que produz, aproximadamente 350 por 100 g de feijão. Estes legumes possuem, por isso, um elevado valor nutritivo, especialmente em cálcio (150 mg %) e magnésio (160 mg %), assim como em ferro (10 mg %), cobre (1,5 %) e manganês (1 mg %), tão necessários para a produção normal de sangue. As vitaminas não fazem parte da sua composição em número notável, embora seja de interesse o conteúdo nas vitaminas fundamentais do sistema nervoso: a B1 (600 gammas em 100 g) e a B2 (240 gammas em 100 g). E surpreendente o elevado conteúdo do feijão na amida do ácido nicotínico (3-7,5 mg em 100 g) o que lhe proporciona um valor dietético inestimável. A amida do ácido nicotínico, ou para melhor dizer, a substância fundamental desta, o ácido nicotínico forma o núcleo activo de uma série de fermentos, especialmente das codesidrogenases I (difosfopiridin-nucleótido) e II (trifosfopiridin-nucleótido), assim como de outras diversas desidrogenases que actuam como transportadores de hidrogénio na síntese e na degradação dos glícidos, dos ácidos gordos e dos álcoois. A amida do ácido nicotínico exerce, além disso, uma acção reguladora sobre a formação dos glóbulos vermelhos primários, os reticulócitos, C por esta razão emprega-se com êxito nos casos de anemia perniciosa. Na prática clínica resulta de grande interesse o emprego desta substância para manter dentro da normalidade as funções do aparelho digestivo, da pele e do sistema nervoso.
O feijão também vai fazer parte dos alimentos com alto teor em ácido pantoténico, ao lado das ervilhas, da cenoura, da couve-flor e das folhas da urtiga. A razão do seu valor dietético assenta, como no caso
anterior, no facto de o ácido pantoténico fazer parte de uma coenzima (coenzima A), que desempenha um papel importantíssimo na síntese da acetilcolina, na desintoxicação de corpos estranhos ao organismo,
como os medicamentos e venenos, e no metabolismo das proteínas e das gorduras. Por todas estas razões, é uma substância não só importante, mas também vital. Por outro lado, protege a pele e as mucosas
contra as infecções, mediante um incremento da sua resistência, e normaliza o seu metabolismo. Tem também uma grande influência no crescimento e na pigmentação do cabelo.

Emprego terapêutico do feijão seco

O feijão branco, seco, manifesta-se mediante uma análise mais minuciosa não só como um elemento de alto valor nutritivo com grande conteúdo energético, mas também como um excelente recurso dietético nos casos de alterações do metabolismo (hepatopatias), na anemia perniciosa, nas doenças dos órgãos do tracto digestivo (processos inflamatórios crónicos, perturbações funcionais, especialmente nos estados dedebilidade), assim como nas afecções da mucosa bucal (estomatite, aftas, úlceras, estomatite gangrenosa ou noma).
Devido à sua função protectora no caso das mucosas e da pele, é conveniente empregá-lo como alimento de preferência nas doenças do aparelho respiratório, como são, por exemplo, os catarros crónicos do nariz (rinites crónicas e de origem vasomotora, coriza do feno), dos brônquios e dos pulmões.
Também nas doenças cutâneas é o feijão um magnífico remédio pelo seu alto teor nos ácidos nicotínico e pantoténico. Pode recomendar-se o consumo de feijões secos nos casos de dermatose de natureza alérgica, eczemas, pruridos, acne e alterações pelagrosas.
Os dois ácidos tão repetidamente mencionados, o nicotínico e o pantoténico, desempenham um papel importante no tratamento das doenças dos órgãos pilosos, pelo que devem ser tratadas mediante a alimentação normal nas maiores quantidades possíveis e daí e que deriva o interesse dos feijões nos casos de queda do cabelo em todas as suas formas (alopecia parcial ou total e nas quedas difusas dos pelos), nos cabelos do qualidade deficiente, cabelo frágil, secura capilar, despigmentação e na formação da caspa (seborreia). Outros alimentos especialmente ricos em ácido pantoténico, além dos legumes mencionados atrás, são: levedura seca, cereais (especialmente os seus farelos), nozes, o fígado
e os ovos.

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