Excesso de proteínas animais

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Necessidade de proteínas

 A chamada «questão proteínica» já excitou muito os ânimos, mas precisamente neste aspecto levou a investigação moderna aos mais assombrosos e importantes conhecimentos e esclarecimentos. Os ditos estudos servem de base às seguintes conclusões:

As proteínas são, para nós, matéria vital imprescindível, da qual — tanto segundo as antigas doutrinas sobre nutrição como as modernas — necessitamos de uma média de 60 a 90 gramas por dia. Não é esta a quantidade mínima suficiente, mas a mais favorável possível. Há que ter muito em conta que tanto um contributo insuficiente como uma alimentação excessiva de proteínas podem originar prejuízos no organismo. A doutrina de que a proteína é a fonte única de trabalho muscular e que as gorduras e os hidratos de carbono só servem para manter o calor corporal, já foi superada, embora este último também aceitasse uma necessidade de proteínas excessivamente elevada (118 g). Podemos cobrir a quantidade de proteínas necessárias com produtos animais ou com os vegetais, por exemplo, com carne, peixe, leite, queijo e ovos, ou então com verduras, legumes, ervilhas, feijão, soja, nozes, sementes de linho ou de girassol. Os diferentes tipos de proteínas animais ou vegetais compõem-se quimicamente de numerosos elementos muito conhecidos, os chamados aminoácidos, dos quais, segundo a doutrina da nutrição aceita até à data, se devem considerar imprescindíveis para o organismo humano uns doze ou quinze. Segundo esta doutrina, devem consumir-se necessária e totalmente com os alimentos, para se evitarem graves transtornos funcionais. Só quando se dipõe desses elementos na sua totalidade é que é possível ao corpo transformar a proteína dos alimentos em proteína do próprio organismo humano.

 Qualidade das proteínas vegetais e animais

 Os alimentos animais e vegetais contêm componentes proteínicos em quantidade e tipos muito diversos. Sob o ponto de vista que acabámos de indicar, consideram-se elementos de mais valor os que contiverem a maior quantidade de elementos proteínicos, isto é, os que subministrarem o melhor material para a reposição das proteínas orgânicas. Segundo esta opinião, o máximo «valor biológico» é apresentado pelos tipos de proteínas que contêm todos os aminoácidos considerados indispensáveis. São as proteínas denominadas completas ou valiosas.

De acordo com esta avaliação são alimentos proteínicos completos a carne, o peixe, os ovos, o leite, a levedura, as sementes oleaginosas, considerando-se incompletos, biologicamente, segundo o seu conteúdo nos diversos aminoácidos, os cereais, as ervilhas, as lentilhas, o feijão, assim como os outros vegetais. Há numerosos quadros sobre o valor dos tipos de proteínas nos vários alimentos. Nesses quadros avaliam-se muito mais as proteínas procedentes dos alimentos animais atrás citados (carne, peixe, etc.) do que as procedentes de vegetais, o que deu lugar à enunciação do princípio da superioridade biológica da proteína animal com respeito à do vegetal. Chega-se, assim, à conclusão de que uma pessoa normal de 70 quilos precisa diariamente de uma quantidade de 70 a 90 g de proteínas, devendo ser pelo menos um terço, isto é, de 23 a 30 g, de origem animal. O consumo médio interno de uma pessoa normal de 70 quilos pressupõe 22,3 g. Se a alimentação de uma determinada população se projectasse sobre estes princípios, teria como consequência um consumo enorme de carne, ovos, leite e queijo.

 Exemplos sobre a necessidade de proteínas animais

O economista sabe, contudo, muito bem que um país frutífero e demograficamente denso não pode estar em condições de produzir tanta carne, ovos, leite e queijo para que cada habitante possa receber diariamente a dose considerada necessária de 23 a 30g de proteína animal. Deste modo, teoricamente, tal país encontrar-se-ia perante uma catástrofe alimentícia. Mas na realidade não é assim que as coisas se passam, o que contradiz a ordem de valorização dos tipos de proteína acima expostos.

Numerosos estudos e ensaios têm demonstrado, com segurança, que uma alimentação exclusivamente vegetariana e, até, exclusivamente crua, pode conservar o organismo forte e jovem no mais alto nível de capacidade e plenitude corporais e espirituais.

O mais impressionante é, para já, a informação apresentada, segundo o qual, antes do descobrimento das Ilhas dos Ladrões pelos Espanhóis em 1620 (cujos habitantes se consideravam a si mesmos os únicos povoadores do mundo), estes estavam privados de quase tudo o que os povos civilizados consideram indispensável para viver. Além das aves, que, de resto, não comiam, não havia nenhum animal na ilha. Aquela gente nunca tinha visto o fogo, e a princípio não fazia a menor ideia das suas características ou emprego. A sua alimentação era completamente vegetariana, constituída por frutos e raízes no seu estado natural. Os indígenas estavam bem constituídos, eram fortes e activos, transportando facilmente aos ombros pesos de mais de duzentos quilos. A doença era quase desconhecida entre eles e chegavam com frequência a uma idade bastante avançada. Não era raro encontrar homens com cem anos de vida sem nunca terem estado doentes.

Aminoácidos essenciais e proteínas vegetais

 As observações e ensaios frequentemente debatidos e relutados encontraram entretanto a sua explicação científica. Refutaram, no «Congresso Internacional de Investigação sobre as Proteínas», tanto a teoria de que os aminoácidos são elementos absolutamente necessários para o nosso organismo, como também a ideia de que certos aminoácidos sejam totalmente indispensáveis por serem insubstituíveis, quando na realidade os aminoácidos são produzidos, consumidos e transformados uns nos outros, no nosso próprio corpo. As combinações mais simples são as realizadas pelos aminoácidos essenciais, cuja presença na proteína dos alimentos se considera imprescindível, e que se encontram no organismo em quantidades quase normais, embora hajam faltado durante algum tempo na alimentação. Salientou que o decisivo não era o tipo de proteína consumida e que, por isso, também não figuram determinados aminoácidos.

No Instituto de Investigação Rowet, em Aberdeen, exposeram que a ideia de que a proteína animal é superior à vegetal perdeu actualmente todo o sentido, porque assenta em experiências antiquadas com proteínas purificadas. As proteínas naturais vivas de igual composição química, tais como se apresentam nos nossos alimentos, não só têm outras características, como também, além disso, se comportam de modo diferente.

Também os norte-americanos deixaram de considerar a teoria dos aminoácidos como fundamento para estabelecer o valor biológico da proteína. Vêem a superioridade da proteína animal a respeito da vegetal no chamado «factor de proteína animal» ou estrepogenina (APF = «Animal Protein Factor»), que hoje já se pode conseguir de matérias-primas vegetais e que, só é indispensável na alimentação, quando faltam os portadores de factores de crescimento (portadores de auxinas), como são as verduras e os cereais.

 Primazia das proteínas de origem vegetal

 Vemos por estas investigações, observações e experiências que o problema de uma sã alimentação proteínica se aproxima, cientificamente, de uma solução, já prevista há dezenas de anos por médicos notáveis. Demonstram o princípio de que toda a alimentação há-de preferir sobre todas as outras coisas produtos vegetais, naturais e frescos. São os seguintes os produtos da natureza trocados, o menos possível, pela técnica humana e, por conseguinte, de maior valor: nozes, cereais, frutas, legumes, vegetais e verduras. Em segundo lugar figuram os alimentos procedentes do reino animal: leite, ovos, carne e peixe.

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