O espinafre (Spinacia oleracea) é uma Quenopodiácea, que provavelmente procede do Oriente. Cultivam-se na Península Ibérica, em grande quantidade, o espinafre comum ou de Inverno (Spinacia oleracea), e o espinafre da Holanda ou de Verão (Spinacia glabra) com propriedades semelhantes.

Composição e propriedades

Como em todas as hortaliças de folhas, o espinafre não possui um conteúdo extraordinário de substâncias nutritivas. Em 100 g de espinafre figuram 93 g de água, 23 g de proteínas, 0,3 g de gordura, e 1,8 g de hidrocarbonatos, e apenas umas 20 calorias. É, porém, importante o seu rico conteúdo de vitaminas, valiosos minerais em forma de sais, clorofila, oligoelementos e fermentos. Do que vamos apresentar em seguida pode deduzir-se facilmente o seu enorme valor fisiológico e nutritivo.

Os elementos activos do espinafre são tão numerosos que, como costuma dizer, substituem meia farmácia. Esta comparação não é exagerada. Esta saborosa hortaliça de folha é rica em cálcio, fósforo e enxofre. Só com estes três factores ocuparia já um lugar destacado no regime nutritivo. Mas o mais importante é outra coisa: o espinafre oferece uma composição ideal de toda a melhor farmacopeia que é necessária e eficaz para a formação do sangue, isto é: arsénico (0,009 mg em 100 g), cobre, iodo, ferro (10 mg em 100 g), vitamina C e clorofila, que é quimicamente muito parecida com a hemoglobina humana.

Que laboratório pode oferecer uma maior composição?

Os nossos preparados de ferro não conseguem melhores resultados que o suco cru de espinafre, tal como o de urtigas, que é de riqueza potencial equivalente. O suco de espinafres já demonstrou a sua eficácia no tratamento de meninas anémicas, durante os anos de desenvolvimento, para acelerar a reposição de sangue, depois das operações, assim como para hemorragias Internas ou declaradas ocultas, cujo tratamento cirúrgico eventual não se deve abandonar. Mas, se isto não fosse suficiente para nos convencer do valor excepcional do espinafre, podemos acrescentar que o espinafre ocupa o primeiro lugar, com grande vantagem, entre as hortaliças, pelo seu conteúdo em proteínas, vitaminas e elementos minerais. Como, além disso, os elementos básicos excedem os ácidos, assim a urina, com uma alimentação abundante em espinafres tende, sempre que não se consumam muitos alimentos de grande produção de
ácidos, tais como carne, ovos, avelãs, nozes e semelhantes ou cereais, a uma reacção alcalina, que é a que se procura nas doenças para a desintoxicação, evacuação e expulsão de sal. Contém vitamina A em quantidade notável, isto é, a vitamina para a protecção da pele e das mucosas, que nem sequer se perde por cocção, evaporação ou conserva. Também não se deve menosprezar o excelente conteúdo de vitaminas B e C.

Estas características tornam evidente que o espinafre e o seu suco desempenham um papel importante nas doenças gástricas da amamentação e da primeira infância. Naturalmente, pode dizer-se o mesmo a respeito da alimentação dos doentes. Este louvor dos espinafres tem, além disso, uma estrofe que não deve ser esquecida. Já foi cantada pelos Árabes que sabiam que o espinafre é «bom para o fígado, remédio para a
icterícia e laxante para a digestão». Esta antiquíssima experiência e comprovação explica-se hoje com a descoberta da presença da secretina no espinafre, que combinada com a saponina (elemento de características semelhantes às do sabão) exerce um efeito de aceleração e aumento da secreção no fígado, na vesícula biliar, no pâncreas, estômago e intestinos.

Usos terapêuticos

O efeito curativo do espinafre ou do seu suco, segundo uma velha experiência e uma moderna investigação científica nos casos de anemia (sobretudo nas chamadas hipocrónicas), eczemas cutâneos crónicos, prisão de ventre, insuficiência funcional das glândulas digestivas (fígado, pâncreas), escrófulas e avitaminoses, é devido a causas que presentemente são bem conhecidas.

Emprego como alimento

Como o espinafre não só possui energia curativa, mas também preventiva, temos de lhe dar o lugar que merece na nossa cozinha e consumi-lo como legume fresco na medida do possível, aproveitando sempre a água em que for cozinhado para não perder nada do seu valor.

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