Arteriosclerose

Com maior frequência do que antigamente tem agora o médico de enfrentar as doenças que a tensão arterial anormalmente elevada implica. Nunca houve tanto medo da hipertensão como nos últimos tempos, já que para a maioria das pessoas é natural relacionar a calcificação dos vasos sanguíneos com a apoplexia. Quando se atinge de sessenta a setenta anos de idade, há muitas pessoas que julgam que forçosamente têm de ser vítimas da arteriosclerose.
Não é necessário tal medo exagerado; por outro lado, porém, nos casos de aumento de tensão arterial, deve procurar-se o parecer do médico para adoptar as enérgicas contra-medidas pertinentes. Isto será comprovado pela seguinte exposição das causas principais.
Presentemente, considera-se a tensão arterial elevada como sintoma clínico, ao passo que dantes a chamada hipertensão essencial era considerada como doença propriamente dita.
Há cirico factores que influem na tensão. Esta é normal, quando vai de 10 a 12 centímetros na coluna de mercúrio:

1. A quantidade de sangue.
2. A produção de sangue.
3. O rendimento de trabalho do miocárdio.
4. A capacidade dos vasos (estreitamento, dilatação).
5. O estado das paredes dos vasos.

O mais frequente na prática é que as mudanças na capacidade e no estado dos vasos sejam a causa do aumento da tensão arterial. Por isso só nos ocuparemos aqui desses aspectos.

Causas mais importantes da arteriosclerose

Se, por qualquer razão (por exemplo, por causa de infecção por bactérias) se produzir uma mudança no funcionamento dos rins. aparece (especialmente por insuficiência de oxigenio) uma acumulação de produtos do metabolismo que elevam a tensão (aminas. derivadas químicos do amoníaco).
O organismo nau carece de defesa perante estes transtornos.
Podo eliminar as maiorias que elevam a tensão arterial, K dispuser, o que não é corrente na alimentação geral, de suficiente vitamina K. que torna ineficazes e, por conseguinte, inócuas essas matérias. Na realidade, pode conseguir-se com a vitamina K uma descida da tensão arterial, se o aumento tiver sido devido à presença de tais matérias. Mas só há suficiente vitamina K no organismo quando é suficiente o seu fornecimento através dos alimentos ou se conta com a presença normal de bactérias no intestino, pois só elas é que são capazes de sintetizar a vitamina K. Com isto fica claramente exposto como a falta de uma substância importante pode levar a uma reacção em cadeia de perturbações do metabolismo, recorrendo-se permanentemente às forças de reserva ou de defesa ou às funções compensadoras do organismo. Isto provoca excitações e tensões permanentes que não só podem causar uma elevação da tensão arterial, como também intervir como causa concumitante da formação do cancro. Há precisamente aqui uma relação secundária com o cancro c que poderá ajudar a conhecer a sua origem, tendo cm conta que a vitamina K, desde que se apresente em quantidade suficiente, evita a destruição prematura de um agente de desenvolvimento fisiológico corporal, a aceticolina. hormona esta que se produz nas paredes intestinais e em todas as terminações nervosas. Não só se forma aceticolina no corpo, de um modo continuo, como também, além disso, se produz, ininterruptamente o seu antagonista, o fermento colinestcial. que destrói sem cessar a aceticolina. É esta função que é obstruída pela vitamina K. o que faz. com que a aceticolina atue mais tempo e mais eficazmente sob os seus eleitos. Mas como a aceticolina, por sua vez., obsta ao crescimento lapido das células maduras e actua, portanto, nas células cancerosas, protegendo as células maduras, e evidente também, neste aspecto, o significado da vitamina K como elemento protector contra o cancro. Mas também exerce, além disso, outras importantes funções ao dificultar o desenvolvimento de bactérias e de fungos c ao desempenhar um papel importante no processo depurador do sangue.

O papel da função defeituosa dos vasos

O aumento da tensão arterial pela actividade modificada dos vasos costuma produzir-se através do sistema nervoso vegetativo, intervindo os seguintes factores:

1. Toxinas bacterianas.
2. Hormonas.
3. Toxinas da nutrição e metabolismo.
4. Influências anímico-nervosas.

Os produtos bacterianos, como por exemplo os procedentes de anginas, inflamação das gengivas e das raízes dos dentes, apendicite, etc, uma vez na corrente circulatória, provocam contracções nos vasos e com isso uma elevação da tensão. Da mesma maneira, a albumina de origem estranha (em muitas pessoas basta a clara de um ovo de galinha) pode actuar como tóxico.
Não podemos entrar em mais pormenores na subida ou na descida da tensão arterial, produzidas pelas diversas hormonas. É bem conhecido que a adrenalina, hormona das cápsulas suprarrenais, exerce uma considerável influência na subida da tensão arterial. Com muita frequência apresenta-se um aumento da tensão arterial na mulher quando chega à idade crítica, por falta de actividade dos ovários. Nas glândulas tiróide, paratiróide e, especialmente, na hipófise, centra-se toda uma série de enfermidades relacionadas com as modificações na tensão arterial. Vamos fazer apenas uma referência sucinta.
Há produtos do metabolismo que, devido a uma prolongada retenção no ventre (prisão de ventre), entram no sangue e são causa da hipertensão, de dores de cabeça, de fadiga e de outros sintomas. Temos de chamar insistentemente a atenção para um funcionamento normal do intestino. As curas de dieta absoluta e semidieta de sumos (suco de choucroute) são para estes casos um êxito completo.

O papel da colestrina e dos ácidos gordos não saturados

Tem havido serias dúvidas sobre se também a colesterina exerce alguma acção de importância na arteriosclerose e nas altas tensões arteriais. Segundo os conhecimentos científicos que actualmente possuímos, pode afirmar-se que o elevado teor no sangue de colesterol é um loctor importante para o aparecimento da arteriosclerose. Para prevenir a arteriosclerose e as hipertensões, é necessário reduzir ao máximo o consumo de alimentos de origem animal, porque são uma das principais fontes de colesterina. Também está demonstrado que o exercício e o
trabalho corporal constituem uma boa defesa contra o aumento do nível de colesterina.
As investigações científicas também não deixam lugar para dúvidas acerca do facto de que o consumo de gorduras vegetais purificadas actua como depressor do teor em colesterina do soro sanguíneo, por causa da sua elevada proporção cm ácidos gordos não saturados, ao passo que a substituição das gorduras vegetais por animais, como a manteiga por exemplo, produz um rápido incremento do nível da colesterina no soro. É bem conhecido que os «vegetarianos rigorosos», que não consomem nem peixe nem leite nem ovos, têm uns valores colesterínicos muito baixos. Recorda-se a este propósito o que se disse quando tratámos do emprego dietético dos ovos de galinha.

Influências psíquicas

Além dos factores materiais, desempenham também um papel importante sobre a tensão arterial os impulsos nervosos e anímicos.
Não devemos passar por alto que há hoje muita gente que sem graves lesões nas células ou nos tecidos tem uma tensão arterial que varia todos os dias, e muitas vezes até de hora para hora, apresentando assim os mais variados sintomas de doença. Estas fortes mudanças reflectem precisamente a enorme influência do sistema nervoso na tensão arterial.
Encontramo-nos assim diante de uma tensão de natureza puramente nervosa. Qualquer forte excitação anímica eleva a tensão arterial rapidamente, e toda a tensão nervosa de alguma duração mantém muito alta a tensão dando origem aos sintomas tão desagradáveis que a caracterizam. Para isto não serve nenhum medicamento nem nenhum regime, mas apenas uma distensão física e espiritual, mais difícil de conseguir do que de pretender.

Hipertensão e arteriosclerose

A tensão arterial aumenta também com uma mudança no estado das paredes dos vasos. Há três factores que, principalmente, os produzem: 1. Nefrite crónica. 2. Sífilis e saturnismo.
3. Arteriosclerose.
Na nefrite crónica, as paredes dos vasos renais modificam-se por inflamação. Os rins já não eliminam normalmente os resíduos do metabolismo. Vão sendo retidos em massa pelo sangue, influem nos centros dos nervos contractores dos vasos, chegando-se assim à subida da tensão. Pelo que se disse, torna-se perfeitamente claro que só a luta contra a causa principal é que pode levar ao desaparecimento da hipertensão.
O mesmo se dá com o excesso de tensão por causa de uma sífilis ou de uma intoxicação de chumbo. Só se for possível curar com êxito as doenças básicas é que se pode esperar o regresso à tensão normal. Mas nestes casos as mais das vezes ficam poucas esperanças de cura.
Nem sempre a arteriosclerose é que provoca uma subida da tensão arterial. Verifica-se até muitas vezes que a pessoa que sofre de arteriosclerose regista uma tensão normal, coisa esta que muitas vezes acontece ao nefrítico. Na arteriosclerose, trata-se de uma degeneração c de um espessamento da capa interior dos vasos, com a consequente acumulação de sais calcários nas paredes dos vasos. Estes perdem assim a sua elasticidade, factor importantíssimo para a normalização da circulação. Contra esta paralisação da circulação recorre a natureza a um aumento da tensão arterial, o que para os vasos frágeis traz consigo o perigo de rotura; ora a consequência da
rotura de um dos vasos do cérebro, os mais fáceis de calcificar, já é nossa conhecida: é a apoplexia.

Remédios para a arteriosclerose

Há que estudar cuidadosamente em cada doente as causas originárias para as irmos vencendo. Enquanto não desaparecerem as causas anímicas e nervosas, de nada podem servir as medidas dietéticas ou quaisquer outras de ordem natural.
A análise dos processos metabólicos, cm especial o papel do sal e da vitamina K, talvez lenha despertado no leitor a convicção de que toda a pessoa hipertensa tem de confiar na força curativa dos vegetais crus, conseguindo assim, da maneira mais simples, livrar-se do sal e obter o necessário teor de vitamina K na alimentação. Quem não se sentir satis feito com um regime de vegetais pode recorrer ao regime sem sal que atrás apresentámos.
Também se consegue a privação quase total de sal com regime de arroz e fruía de Kempner, que consiste em 250 a 300g de arroz com fruta ou sumos de fruta (de preferência adoçados com mel). Apenas com 0,5 g de sal, este regime oferece 20 g de albumina e 2000 calorias. Corresponde pois ao regime normal da população da Ásia, cuja baixa tensão arterial se tem verificado desde sempre.
Tal como o de vegetais crus, também este regime influi consideravelmente nos processos orgânicos e no metabolismo.
Não o devemos efectuar sem indicação e controle médicos, tanto mais que não se lhe pode fixar uma duração determinada, pois há que ter em linha de conta as reacções do doente. As dietas de sumos de frutas e de legumes são mais eficases. Só devem ser efectuadas, tal como as curas de jejum rigoroso, num sanatório em que predomine o ambiente sanitário necessário. Tais curas podem ser de êxito surpreendente, que a maior parte das vezes se converte em êxito permanente, quando a cura tiver durado entre catorze e vinte e oito dias. Implica uma limpeza geral de todo o organismo e é por isso de grande valor, exigindo porém do enfermo uma forte e decidida vontade de cura.
Para conservar o êxito uma vez conseguido, assim como para vencer a hipertensão arterial e a arteriosclerose, são especialmente indicados os dias de sumo ou dias de compota. Para isso, bebe-se, exclusivamente, distribuído ao longo do dia, só um litro de sumo de maçãs (ou qualquer outro sumo de frutas), ou prepara-se, como é costume, um quilo ou quilo e meio de maçãs em compota, que se come distribuída entre quatro e seis doses durante o dia. Se houver sede, pode beber-se entre meio litro e três quartos de litro de água cor- rente ou de água mineral. Se nesses dias for possível repousar fisicamente várias vezes, durante uma hora de cada vez, então
o êxito será mais duradouro.
Para o tratamento permanente contribuem também as nossas plantas curativas e as nossas especiarias. Hoje considera-se certo que o visco é muito eficaz em casos de arteriosclerose ou de hipertensão devidas a causas diferentes.
Outra importante ajuda é-nos dada pelo alho. Foi descrita e analisada a sua actividade quando tratámos das plantas utilizadas como condimento; basta, portanto, recordá-lo agora.
Na hipertensão, com ou sem arteriosclerose, nunca se pode prescindir da prescrição médica. O doente de arteriosclerose não pode viver sem preocupação, mas deve mudar o seu ritmo de vida e adaptar os esforços exigidos à capacidade em cada momento dos seus órgãos circulatórios.

Exemplo do modelo a seguir numa dieta para escleróticos
e hipertensos

Princípio fundamental: Fugir, o mais possível, de tudo o que for supérfluo na alimentação. Utilizar alimentos pobres em sal e em colesterina, eliminar as conservas preparadas com processos químicos, pouca proteína de origem animal (sendo possível só na forma de produtos lácteos ácidos), nada de gordura animal (no máximo 40g diários de manteiga e tomar toda a outra gordura como óleos vegetais batidos a frio ou na forma de nozes, amêndoas, gérmens de trigo e papas ou manteiga de noz), muito sumo de frutas c de legumes ou caldo de legumes, muitas ervas de raiz e silvestres, e frutos silvestres, tudo isto empregado como especiarias ou condimentos.

De manhã:

Salada de maçãs e laranjas (receita 80). Pão integral com manteiga vegetal e requeijão. Infusão de ervas ou de roseira silvestre (receita 14).

Ou então:

Marmelada de Bircher (receita 83). Pão integral, sem sal, com manteiga de noz. Uma chávena de leite ou de infusão de maçã (receita 13).

Almoço:

Fruta fresca ou salada de fruta. Legumes crus; salada de azedas, aipo, alface ou escarola.
Ervilhas fervidas. Prato de requeijão e roseira silvestre (receita 161).

Ou então:

Frutas do tempo ou frutas secas. Verduras cruas: cenouras, tomates, agriões. Cozidas: batatas com alho
(receita 106), com complementos vegetais (receita 121). Compota de marmelo ou compota de arando encarnado.

Jantar:

Meio cacho de uvas. Sopa forte (receita 22).

Ou então:

Frutas e nozes.
Arroz seco com compota de maçã ou bananas assadas (receita 146) ou compota de roseira silvestre com maçãs (receita 148).

Ou então:

Pão integral com manteiga de rábano (receita 169) e requeijão fresco. Ameixas ou figos secos, amolecidos.

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