Toda a autêntica cultura exige, previamente, um determinado estado de fé. Tanto nos aspectos material como espiritual, tal estado de fé manifesta-se mediante a convicção de a pessoa poder conhecer-se amplamente e desenvolver-se partindo das próprias possibilidades, mediante um trabalho entusiasta.

No aspecto espiritual, trata-se da convicção referente a normas e valores morais que têm de se alcançar e pôr em prática. Quer dizer: vivificar-se. O «ter cultura» significa conseguir o domínio sobre si mesmo, sobre as más inclinações e paixões. E a formação de um carácter firme e moral, um anelo mais para lá da vida, uma ponte entre o que os nossos sentidos captam e não captam, o passo para a eternidade. A cultura é, pois, coisa do coração. Como é que tal coisa pode levar a «pragas de cultura»?

Mas continua a ser para nós a cultura coisa do coração? Afirmaram que o homem europeu já não acredita em nenhuma norma ética. No centro do seu modo de vida encontra-se a preocupação de viver sem peias morais. A sua posição perante a vida parece resumir-se no seguinte: julga ter todos os direitos e nem um só dever. É, por conseguinte, a «incultura» do europeu o que provoca essas tais «pragas de cultura». A incultura põe-nos doentes. Opõe-se à natureza e perturba a obra de Deus.

Embora hoje muitos homens se esqueçam de procurar o bem, a verdade, a cultura, isso não quer dizer que se tenham esquecido de os valorizar e reconhecer quando se manifestam nos outros homens, de uma forma pura e desinteressada.

A cultura e o progresso autênticos têm de ser aceites no quadro das possibilidades naturais como missões impostas por Deus, pois que por elas se conhece e adora o Criador e não as Suas criaturas.

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