O cominho (Canan carvi) pertence como o coentro à família das Umbelíferas. Encontra-se nos prados das montanhas do norte e do centro da Península. No primeiro ano de cultivo recomenda-se que o terreno seja fortemente adubado com estrume. Como o cominho só pode ser colhido no segundo ano, o melhor e semeá-lo com outro fruto intermédio que amadureça no princípio do Verão (ervilhas, cevada, aveia) para que o cominho tenha tempo de sobra para a formação da sua folhagem. Mil grãos pesam 2,56 gramas.
A quantidade de semente por are cm terreno aberto é de 100 gramas. A distância entre fila e plantas deve ser nos dois casos de 30 cm. Não é preciso recobrir a terra depois da colheita do fruto intermédio, porque o cominho resiste muito bem no Inverno. Entre Junho e Julho do segundo ano pode colher-se o fruto.

Normas para a sementeira e para a colheita

Como os grãos quando estão maduros caem com facilidade, há que fazer a colheita quando estes começam a adquirir um tom castanho escuro. Cortam-se as plantas ainda cobertas de orvalho às primeiras horas da manhã com a fouce ou a gadanha. Também se recomenda que se estendam lonas, quando se carrega, para poder recolher os numerosos frutos desprendidos. O teor de óleo essencial aumenta durante a armazenagem até à Primavera, de modo constante. Sob a designação de «cominho de primeira qualidade» entende-se como mínimo 90 % dc pureza e como máximo 14 % de humidade. Os distribuidores que compram aos produtores devem pôr no mercado para usos farmacêuticos e alimentares apenas cominhos que possuam 98 % de pureza e uma humidade máxima de 14 %. O cominho que tenha grande quantidade de impurezas, especialmente ervas más, e que não atinja ou dificilmente consiga uma pureza de 98 %, só deve ser empregado em usos técnicos. Na recolha do cominho silvestre cortam-se as umbelas com os seus talos, quando os grãos começam a amadurecer, e estendem-se sobre um fundo de papel ou dependura-se o molho para secar. Varejam-se os frutos maduros que não tiverem caído.

Composição e propriedades

As substâncias activas ate agora conhecidas são: óleo essencial de comicarveol e uma base aromática narcótica, assim como acetaldeído, álcool metílico, furfurol e diacetil. Alem do óleo essencial, encontra-se óleo gordo, cera, tanino, substâncias albuminóides, etc. A eficácia do cominho é devida principalmente ao óleo essencial que estimula o estômago, mas actua sobre o intestino como sedativo carminativo.

Emprego como remédio

Como planta medicinal, na debilidade gástrica, nos espasmos do estômago, na flatulência intestinal e noutras perturbações do intestino, especialmente nas crianças. Para isso recomendam-se as seguintes misturas: Misturam-se 20 g de cominho em pó e outros 20 g de coentro e toma-se o que couber na ponta de uma faca, depois da refeição. Ou então misturam-se, segundo fórmula farmacêutica, 10 g de cominhos com 30 g de macela, 30 g de folhas de hortelã-pimenta e 30 g de raiz de valeriana; deita-se de cada vez uma colher pequena desta mistura num copo de água fervente deixa-se repousar durante catorze minutos; bebem-se diariamente de duas a três chávenas. Para as crianças também pode ser eficaz cozer os cominhos em leite, para as dores abdominais, cólicas intestinais, espasmos intestinais, más digestões ou flatos. Empregam-se então quatro gramas por litro.

Emprego como condimento

O cominho, pela sua característica de favorecer a digestão, é um condimento sumamente apreciado e valioso. Em muitas regiões acrescenta-se à levedura do pão. Também é próprio para toda a espécie de queijos. Muitas variedades de hortaliças, especialmente as couves que provocam flatulência (repolho, couve, choucroute, couve-lombarda), deviam temperar-se sempre com cominhos, pois estes favorecem a sua digestão. Misturados com outras especiarias, dão excelente sabor às saladas, molhos, sopas, pratos dietéticos e verduras cruas. Também é conveniente o seu emprego na pastelaria. É conveniente não
cozinhar os cominhos com os outros alimentos, mas acrescentá-los em pó ou triturados depois da cocção, pois de contrário perdem-se muitos dos seus efeitos como condimento.
As folhas frescas e tenras da planta têm o mesmo odor que os frutos. Podem acrescentar-se aos vegetais crus e às saladas.

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