A família das Umbelíferas apresenta-nos o Corefolho ou Cerefólio (Anthriscus cerefolium), originária do Sul da Rússia. A planta não só está relacionada com a salsa, como também é muito parecida com ela. Pode cultivar-se em qualquer horta. O mais prático é repetir valias vezes a sementeira entre Março e princípios do Verão em terreno sombrio, em filas separadas umas das outras, à distância de uns quinze a vinte centímetros. Por cada metro quadrado são precisos uns dois gramas de sementes (mil sementes pesam de 1,7 a 2,3 g). Devem estar húmidas para lhes favorecer o desenvolvimento. A germinação dura de duas a três semanas. A humidade dos grãos é de 95 a 98 %. Onde os Invernos não forem muito frios, a sementeira pode fazer-se em Agosto em alfobres que não tenham mais plantas, podendo então fazer-se a calheita durante a Primavera seguinte.
Semeando no Outono, podem cortar-se já em Abril a poucos centímetros do solo as plantas ainda sem florescer, ou se não, bastante depois. Emprega-se de preferência em estado fresco, porque quando começam a dessecar-se perdem em grande parte o poder como condimento. O melhor é cortar a planta entre seis e oito semanas depois da sementeira. Quando o cerefolho secar, com o que perde grande parte do seu aroma, tem se conservar em recipientes bem fechados.

Composição e propriedades

Como elemento activo, conhecemos até hoje o óleo essencial na proporção de 0,27 %. Até agora ainda não se analisou suficientemente esta planta. A Medicina popular atribui-lhe um efeito benéfico para os casos de tuberculose pulmonar, escrofulose e doenças da pele e, sobretudo em sumo acabado de fazer, supõe-se possuir grande eficácia para a depuração do sangue. As folhas raladas oferecem um cheiro e um sabor anisados.

Emprego na prática

Como planta medicinal pouco valor tem o seu emprego. Como vegetal e planta de salada, o cerefolho consome-se só ou misturado com azedas em sopa juliana e, mais especialmente, na denominada «sopa de cerefolho». Só ou com outros condimentos, serve o cerefolho para temperar legumes, saladas, sopas, alimentos de dieta e pratos de vegetais frescos. Também pode interessar para assados, molhos, fritos de legumes, guarnições de queijos e tomate ou manteiga vegetal, e misturado com requeijão e cebolinha, como recheio de sanduíches. Nos pratos guisados junta-se o cerefolho no final, já que exposto a uma cocção grande perde as suas características de condimento. O cerefolho, a cebolinha e as folhas de alho-porro, bem preparados, constituem um magnífico recheio para sanduíches. O cerefolho, a salsa e o estragão são muito agradáveis para temperar a salada de tomate.

Cuidado com as confusões

O cerefolho silvestre só deve ser utilizado quando se conhecer com segurança, pois é fácil confundi-lo com a venenosa cicuta (Conium maculatum), uma planta também umbelífera. Se não houver certeza de que é cerefolho é preferível servirmo-nos do cerefolho cultivado. Há também outra variedade não aromática (Anthriscus vulgaris), que se distingue do comum cultivado pelo cheiro.

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