Cebolas

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A apreciadíssima cebola (Allium cepa) pertence à família das Liliáceas. Como o seu emprego se generalizou bastante, tem vários nomes populares. Procede do Oriente (Ásia Ocidental) e cultiva-se muito na Europa.

Composição e propriedades

Tal como o alho, também a cebola contém principalmente óleo essencial com enxofre, que se encontra fazendo parte de diversas combinações orgânicas. Conhecemos hoje o importante papel dos compostos orgânicos do enxofre, especialmente nas sulfamidas que, com a penicilina, constituem o meio mais eficaz para combater as enfermidades infecciosas. Mas é também muito importante o teor da cebola em compostos de sulfocianeto, fósforo, flúor, potássio, ácido silicílico, secretina, glicoquinina e vitaminas B e C.
O conhecido ardor de olhos quando se descascam ou se picam as cebolas é devido à evaporação do ácido essencial.

Acções sobre a fisiologia do organismo

A cebola aumenta a produção do suco gástrico e, com isso, a sua capacidade de desinfecção e desintegração de albuminas. Aumenta também a formação de sucos intestinais, exterminando parasitas do intestino causadores de putrefacções e de focos purulentos; estimula o desenvolvimento de colobacilos normais. Mas não incita apenas a uma maior actividade das mucosas gastrintestinais, como também do fígado, vesícula e pâncreas, efeitos estes que equivalem aos que se exercem sobre as mencionadas mucosas e que também fomentam um melhor funcionamento digestivo. Forma-se na mucosa do duodeno devidamente incitada uma hormona chamada secretina que, através do sangue, estimula a secreção de fermentos digestivos pelo pâncreas a influência decisiva de um funcionamento normal do pâncreas sobre o processo digestivo compreende-se pelo facto de ser apenas a dita glândula que está em condições de produzir simultaneamente fermentos para a desintegração de proteínas, hidrocarbonatos e gordura. Precisamente os componentes estimulantes da cebola podem fomentar em grau desusado a produção de secretina, garantindo assim o bom funcionamento do pâncreas. Mas a cebola não só torna possível uma maior formação de fermentos e de hormonas (secretinas) como também, além disso, contém essas mesmas substâncias. Figura precisamente entre as hortaliças com maior teor de fermentos. Por outro lado, tem se discutido nela a presença de uma hormona vegetal (glicoquinina) que actua no metabolismo do açúcar como a insulina do pâncreas e pode reduzir o excesso de açúcar no sangue.
Como a cebola também contém as vitaminas B e C em abundância, constitui, especialmente durante o Inverno, o melhor antídoto contra as avitaminoses ou, em combinação com o suco de batatas esmagadas e frescas, contra o escorbuto propriamente dito.

Efeito nas doenças da circulação e da respiração

Também, desde há muito tempo, se conhece o eleito diurético da cebola em relação com as doenças circulatórias e renais. Quando os medicamentos falham, pode uma cura de cebolas, durante três dias, fazer desaparecer acumulações de água nas pernas, no ventre, no fígado, pleura e pericárdio, porque o óleo essencial, os ácidos sulfociânicos e silícico e o teor em magnésio secam os tecidos, facilitando a filtragem renal de água e sal. Mas provavelmente o efeito não se deve apenas a essa influência sobre a irrigação dos tecidos renais, mas também a um melhor funcionamento do coração, já que as cebolas, pelo menos conforme se tem podido demonstrar em experiências com animais, contêm elementos estimulantes para o coração. Os compostos sulfociânicos actuam, além disso, como factores que fazem baixar a tensão arterial (hipo-tensores). Para efectuar uma cura de cebolas, tomam-se de dez a quinze ou mais cebolas de tamanho médio por dia, com mel para lhes melhorar o sabor, ou então ce salada com sumo de limão, azeite e nata ácida. Uma cura de cebola pode pro- longar-se durante várias semanas. Quem há que não conheça o tradicional xarope de cebola como remédio nas afecções catarrais das vias respiratórias?
Essa aplicação está perfeitamente justificada. O óleo essencial é eliminado em grande parte através dos pulmões, como acontece com o alho-porro e o alho, com o que, ao resolver a congestão dos vasos e dos pequenos conductos respiratórios, facilita a expectoração e acalma a tosse e a irritação.

Outras indicações terapêuticas

Diversos autores também concedem à cebola um efeito calmante nas excitações nervosas ou psíquicas. É antiquíssima a aplicação da cebola para a eliminação das lombrigas intestinais (nematodos) e oxiuros. A sua eficácia nas infestações por lombrigas tem-se confirmado nos nossos tempos, sobretudo na medicina infantil, que é onde está destinada a empregar-se com maior frequência. Cita-se também frequentemente a capacidade da cebola para a renovação do sangue, o que se explica pelo seu efeito benéfico na digestão, porque, como se sabe. a anemia pode ser devida a transtornos prolongados no funcionamento normal do intestino. Também se salienta o teor em vitaminas e minerais como explicação das qualidades de renovação do sangue.
O alto teor em flúor da cebola leva a supor uma influencia benéfica da cebola no estado de funcionamento excessivo da tiróide e exerce seguramente no mesmo sentido que o moderno tratamento de flúor uma influência conservadora do esmalte dentário.
Tendo em conta o efeito de excitação da circulação do sangue, fica perfeitamente justificado o seu emprego externo na cura de furúnculos, abcessos, inflamações do tecido subcutâneo, frieiras, machucações, inflamações das glândulas linfáticas, infecções e calvície.

Emprego como condimento

1. Xarope de cebola para a tosse e outras doenças devi- das a resfriamentos: cortam-se às rodelas várias cebolas grossas e misturam-se com açúcar amarelo. Deixam-se de infusão, durante 12 horas. O sumo assim conseguido toma-se às colheres, várias vezes por dia. Ou então: cortam-se as cebolas em quatro pedaços e aquecem-se ao vapor com açúcar cândi. Toma-se uma colherada, de duas em duas horas.

2. A cru para hidropésicos: trituram-se 600 g de cebolas até formar um puré; bate-se este, fazendo-o passar por um coador com 100 g de mel até formar um líquido homogéneo. Tomam-se, diariamente, de 100 a 200 g às colheres. Quem for capaz, será preferível consumir de 30 a 60 g de cebolas frescas (segundo nutricionistas), cozendo as cebolas com mel para as tomar desta forma.

3. Para uso externo em inflamações, hemorróidas e calvície, trituram-se ou esmagam-se as cebolas a cru e batem-se com água até formar um caldo que se aplicará nas regiões afectadas.

4. Como salada, preparam-se as cebolas com limão e azeite.

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