A família das Borragináccas proporciona-nos como saborosa especiaria vegetal a borragem (Burrago Oficinalis). Espontânea e cultivada encontra-se em quase toda a Península Ibérica.
Antes e durante a floração cortam-se as folhas à tesoura, pois só se empregam frescas como condimento ou como aditamento a uma salada. As folhas secas perdem sabor e são de conservação difícil. Cortam-se de Junho a Agosto e secam-se o mais rapidamente possível. As flores, empregadas muitas vezes como elemento decorativo, também se colhem.
A sementeira faz-se na Primavera em filas; a distância entre os sulcos deve ser de 25 cm. O mais prático é fazer várias sementeiras seguidas, porque as folhas jovens são as mais fortes. A borragem multiplica-se rapidamente. O terreno onde se tiver semeado a borragem transforma-se facilmente em matagal. A germinação produz-se passados cinco ou seis dias, com uma capacidade de quase cem por cento.

Composição e propriedades

Com respeito a substâncias activas, podemos dizer muito pouco, actualmente nutricionistas consideram muito abundante na borragem o tanino; nas cinzas encontra-se manganês. Autores mais antigos falam de mucilagem, resina, ácido acético, muitos sais, especialmente salitre e vestígios de um elemento de fragrância (óleo essencial).

Aplicações e forma de emprego

Como planta medicinal a borragem não pode recomendar-se para determinadas enfermidades, porque o seu leite é pouco conhecido.
Como planta de salada e verdura tem sido, porém, muito recomendada. As folhas tenras e novas picam-se e temperam-se apenas com cebola, azeite e um pouco de sal como salada, ou misturam-se como alimento cru com uma pequena quantidade de salada, ficando assim com um sabor análogo ao do pepino.
Como especiaria é que a borragem adquire o seu maior significado. Pelo seu cheiro e sabor parecidos com os do pepino é um aditamento muito usado nas saladas, sobretudo nas de batatas ou verduras silvestres, alimentos cozidos ou crus, sopas e molhos. Juntamente com o endro não deve faltar em nenhuma salada de pepino e de outros vegetais verdes. Só se deve empregar cuidadosamente combinada com outras especiarias, pois não se anula a eficácia destas. Com as suas folhas finamente picadas, prepara-se um molho para as variedades de couve.
As flores azuis de grato sabor podem também empregar-se vantajosamente como aditamento a pratos frios e saladas de batatas. Como as folhas quando secam adquirem um tom pardo escuro, prepara-se para o Inverno um sumo de borragem que deve ser esterilizado. Para o molho de ervas o melhor é empregar borragem, azedas, salsa e tomilho.

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