O berberis ou uva-espim (Berberis vulgaris) vive no Norte de Portugal em matagais e bosques das zonas montanhosas, florescendo nos meses do Verão.

Os frutos constituem bagas grandes e ovais, chatas, em forma de abano, primeiramente verdes e quando maduram vermelhas, com um ponto negro na parte superior, que sustentam duas sementes grandes e cilíndricas. A polpa do fruto produz um sabor ácido, mas agradável e bastante concentrado.

A partir do mês de Agosto, cortam-se os cachos inteiros, antes que as bagas estejam completamente maduras. Em casa, desprendem-se as bagas dos talos e deixam-se prontas, o mais depressa possível.

Substâncias activas conhecidas até agora: o envólucro da raiz contem alcalóides e, entre outros, berberina. Nos frutos encontram-se muitos ácidos, especialmente o málico e o cítrico, e entre as vitaminas a C.

Modos de actuar e emprego como remédio

A berberina, que deve ser considerada como principal matéria activa, afecta sobretudo o fluxo biliar, mas também os centros respiratórios e vascular. Produz-se simultaneamente uma melhoria da circulação e uma normalização do pulso acelerado. O emprego do córtex de raízes do berberis como excitante e como reconstituinte nos estados de esgotamento é pois muito acertado, sobretudo depois de doenças infecciosas que afectam o aparelho circulatório. Como a berberina se acumula no fígado, excitando-lhe as células para produzir mais bílis, é utilizada também como remédio hepático, no caso de icterícia, congestão hepática e formação de cálculos nos condutos biliares e na vesícula biliar. O sabor amargo torna apropriado o uso do berberis como excitante do apetite. A prisão de ventre também fica corrigida com o berberis, quando é devida a uma secreção anormal da bílis. Como uma parte da berberina vai a parar aos rins, excitando as células renais a produzir mais urina, pode esta acção diurética ser de proveito nas doenças dos rins, que não sejam devidas a uma inflamação aguda e febril dos tecidos renais. Segundo Bohn, a experimentação médica homeopática descobriu relações entre o berberis e os centros nodulares dos órgãos sexuais. Kneipp recomenda o emprego de um extracto alcoólico de bagas, nas doenças pulmonares, hepáticas e abdominais.

Emprego como alimento

Como alimento cru, estes frutos não se podem comer, por causa do seu elevado conteúdo de ácidos; prestam-se, porém, para a confecção de compotas, sumos, xaropes, geleias, marmeladas e purés, e são próprios para a elaboração de vinho e vinagre.

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