O arando ou erva do monte (Vaccinium myrtillus) pertence à família das Eriáceas. Os arandos são frequentes nas montanhas do Alto Minho, e nas Serras do Marão e Estrela.

Os frutos maduros são de cor azul-escura brilhante, com sumo violeta-escuro e muitas sementes pequenas pardas.
A cor das folhas permanece inalterada na dessecação e têm um ligeiro sabor adstringente. Conservam-se em saquinhos.

Os frutos maduros são colhidos à mão. Guardam-se em baldes ou em cestos; para os secar, estendem-se numa só camada, durante alguns dias. Têm um sabor agridoce e levemente adstringente. Conservam-se em caixas. Há que inspeccioná-los com certa frequência.

Composição

Nas folhas encontra-se tanino, ácido málico, ácido cítrico e glicose. Nos frutos, além destes produtos, encontra-se, também, pectina, o glicósido corante mirtilina e vitaminas A, C e, em menor quantidade, B.

Caracterísitcas terapêuticas

Como meio curativo, os arandos são um excelente fruto silvestre e notam-se pelos seus valores especiais medicinais. A sua característica principal de curar todo o tipo de diarreia já era conhecido pela antiga medicina popular. Não é só o grande conteúdo de tanino que caracteriza esses efeitos, mas também o ácido tânico que forma combinações naturais com os corantes orgânicos, mediante os sucos intestinais. Desta forma actuam unidos aos pigmentos (corantes) de uma forma intensiva e contínua a todo o comprimento do tubo intestinal. As mesmas substâncias produzem os efeitos antissépticos e anti-inflamatórios dos arandos demonstrados pelo farmacólogo.

É especialmente notável que o sumo ou extracto dearando exerça uma autêntica acção bactericida e de inibição do crescimento sobre culturas bacteriológicas puras. Os colibacilos, causa principal da diarreia fermentada, podem tornar-se inócuos dentro do prazo de vinte e quatro horas. A força curativa dos arandos pode fazer frente neste sentido à concorrência das modernas preparações de sulfamidas, empregadas para combater as infecções colibacilares do intestino. Precisamente no momento das diarreias do Verão, a Natureza pôs à nossa disposição um meio de protecção e de cura. Mas os arandos secos ou de conserva também podem desenvolver igual eficácia no Inverno. Devem figurar, portanto, em todos os lares, tanto secos, ou de conserva, como em sucos em frascos. Para todos os processos de fermentação ou de putrefacção instestinais que acompanham a diarreia, tamos à nossa disposição um remédio natural rápido e simples, que além disso será gostosamente aceite pelas crianças.

Dieta na base de arandos

As curas de arandos constituem também um meio excelente natural e totalmente inócuo para libertar as crianças e os adultos de lombrigas e de parasitas intestinais. A forma mais fácil de efectuar a cura é alimentar-se, exclusivamente, durante três dias consecutivos de arandos crus ou ligeiramente cozidos. A limitação da alimentação com arandos custa apenas naturalmente um esforço; mas a firme decisão de terminar de vez com a pesada moléstia tem uma ampla recompensa.
Nas pessoas sãs, os arandos frescos, tomados com um pouco de açúcar ou leite, provocam a secreção das glândulas gástricas e intestinais e, sobretudo, do pâncreas; impedem que se declare uma diarreia por consumo de alimentos não totalmente frescos.

Há que citar, especialmente, as folhas dos arandos que contêm uma substância semelhante à insulina. O emprego dessas folhas, em forma de pó ou de infusão, pode completar o regime, no caso de diabetes ligeiros e naqueles casos em que é conveniente poupar a insulina, embora ultimamente se tenham conhecido outras plantas das quais se pode esperar um forte efeito de redução de açúcar no sangue, que em muitos casos evitará a injecção de insulina. Pelo menos, pode permitir-se, dentro de prudentes limites, o consumo de arandos aos diabéticos, pois contêm muitas substâncias semelhantes à insulina. Suportam-nos muito bem e, em muitos casos, tão bem como o mel, que possui substâncias que fazem baixar o nível da glicose no sangue.

Além do uso interno, o sumo de arando cozido cura os eczemas, mesmo que sejam supurativos, assim como a sicose da barba e as feridas e as cicatrizes de cura difícil nos diabéticos.

Portanto, arandos frescos, em tintura ou em sumo, não devem faltar em nenhum lar.

Valor alimentar

Os arandos com leite servem de excelente reconstituinte, sendo suportados até pelos estômagos mais delicados: Frescos, são de excelente sabor, misturados com açúcar ou banhados em leite. São muito conhecidos os fritos e as sopas de arandos. As suas compotas, sumos, purés, marmeladas e geleias são muito agradáveis; também se podem conservar em frascos com açúcar ou esterilizados sem ele.

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