A família das Umbelíferas proporciona-nos o anis ou erva doce (Pimpinclla anisum), originária do Oriente, sendo cultivado e às vezes subespontâneo em Portugal. O anis figura entre os mais antigos medicamentos. Já Pitágoras louvava a sua influência. Nos estudos hipocráticos aparece tratado com frequência.

Logo que os talos se tornam amarelos, cortam-se os cachos de flores, atam-se e dependuram-se ao ar para secar. Decorrido algum tempo, podem obter-se os frutos, sacudindo-os. O clima duro e húmido, assim como a zona costeira, não são lugares próprios para o seu cultivo. O melhor é cultivá-lo em solo de boa qualidade e predominantemente leve. Estrumar o campo, mas antes de se formarem os frutos. Não é de aconselhar o adubo com produtos industriais, porque a maioria desses adubos favorece a formação da folhagem com prejuízo dos frutos.
A sementeira de Maio a Abril, à distância de 25 cm, precisa geralmente de 150-250 g de sementes por are. A germinação tem lugar de duas a três semanas depois, e a capacidade de germinação vem a ser de 70-90 %. O fruto amadura em Agosto, mas só em regiões de Verão quente e seco. Cortam-se os frutos e seguidamente trituram-se. Por cada are colhem-se de 6 a 8 quilos de fruto.

Composição

Dos frutos obtém-se um óleo perfumado de odor doce e agradável (cerca de 2-3%) que no seu estado puro e por efeito do frio se solidifica como massa cristalina branca (Schulz). Já no ano de 1820 se efectuaram as primeiras investigações sobre este óleo e a sua composição. Até hoje conhecemos como primeiros elementos : anetol, ácido de anis, aldeído de anis, acetona de anis e outras matérias complementares, tais como óleos, proteínas e açúcar.

Modo de actuação e emprego

A sua eficácia está condicionada fundamentalmente à expulsão do óleo essencial pelos pulmões, o que fomenta as actividades vibráteis nas vias respiratórias. Pode utilizar-se por tanto como meio expectorante. Tal actividade pode aumentar-se mediante a mistura com outras plantas como, por exemplo, verónica, saponária na proporção de 20 g, folhas de tussilagem, flores de sabugueiro na proporção de 15 g, e raiz de violeta, 10 g. Misturar, cozer uma colher grande numa chávena de água e beber quente. Esta especiaria encontra-se limitas vezes presente nas chamadas infusões peitorais, pulmonares e asmáticas. O óleo ainda desenvolve outros efeitos nas glândulas do tubo gastrintestinal, excitando a sua actividade, aumentando o apetite, facilitando a digestão e melhorando a eliminação biliar. Está, portanto, justificado o emprego desta especiaria como infusão para o estômago e a bexiga; resta,
porém, confirmar se aumenta a produção do leite na mãe lactante. Como planta medicinal emprega-se para a tosse, catarro bronquial, asma, inapetência, catarro gastrintestinal, espasmo de órgãos respiratórios e digestivos (cólicas).
Como condimento, empregam-se os pequenos frutos maduros que contêm de 2 a 3 % de óleo essencial. O anis em pó misturado com cenouras é muito conveniente para o tratamento de lombrigas nas crianças, assim como para combinar com elementos agridoces como couve-lombarda e pepinos. Mediante destilação pode obter-se óleo ou essência de anis a partir das folhas secas.

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