Amoreira

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No que diz respeito aos objectivos deste livro, achamos que devemos incluir neste capítulo todas as «amoras», cujos frutos pretos, comestíveis, têm propriedades semelhantes às do Rubus fructicosus. Esta espécie dificilmente se diferencia de outras muito afins como Rubus discolor, R. thyrsoideus, R. amoenus que, com o Rubus caesius, são muito frequentes na Península Ibérica, apresentando vários nomes, conforme as regiões.

Aparece sobretudo nas orlas dos bosques, dos prados, nas sendas das montanhas e colinas.

De Junho a Setembro cortam-se as folhas com o talo, à tesoura, e deitam-se numa cesta. Retiram-se as folhas descoradas. Colocam-se o mais depressa possível numa camada fina no solo para secar, guardando-as depois em sacos. O produto elaborado tem a cor das folhas frescas já maduras.

Em Agosto, recolhem-se uma a uma as amoras e colocam-se em cestos de modo que não fiquem apertadas. Os frutos têm um agradável sabor ácido.

Para cultivo são menos apropriadas as amoras silvestres do que as formas mistas obtidas por cruzamentos. Os arbustos não exigem grandes condições, quanto ao solo, mas preferem o calor. Plantam-se em filas à distância de 1,50 m e apoiam-se em estacas atando os ramos tenros e podando no Outono os ramos velhos. Consegue-se a multiplicação mediante rebentos debaixo de vidro ou enterrando as pontas verdes dos renovos em terra mole.

Composição

As folhas contém tanino, ácidos orgânicos, especialmente láctico, resinas, pigmentos e pectina. O óleo de amoras contém como componente essencial um óleo de cor verde-amarelada escura, que em plena luz dá uma fluorescência vermelha, com glicéridos dos ácidos em pequenas quantidades, assim como ácidos gordos saturados, sobretudo ácido palmítico. A cor do óleo e devida ao conteúdo de clorofila.

Valor como planta medicinal

Como portadoras de tanino, as folhas das amoreiras têm qualidades antidiarreicas e antinflamatórias. Recomenda-se o emprego de infusões nos casos de irritações catarrais e inflamações das vias gastrintestinais, diarreias, inflamações do intestino grosso e hemorróidas. Nos catarros das vias respiratórias, assim como nos fleimões e inflamações das gengivas, empregar um cozimento de folhas de amoreira para gargarejos.

Uso como alimento

A amora emprega-se para infusões que substituem o chá na vida familiar. Mediante a fermentação obtém-se das folhas um bom substituto do chá: 2 partes de folhas de amoreira e 1 parte de folhas de framboeseiro; depois de secas e um pouco prensadas, regam-se com água e envolvem-se num pano, deixando-as durante dois ou três dias num lugar quente. A fermentação produz um aroma semelhante ao das rosas. Perdem-no quando secam; mas podem conservá-lo, se forem guardadas num recipiente de lata, estando ao ar. Esta infusão constitui uma bebida aromática para o pequeno almoço.

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