O primeiro europeu que nos proporcionou uma relação sobre esta leguminosa procedente do Brasil, e cujo nome científico é Arachis hypogea, que desempenhou activamente o cargo de director de minas em Cuba de 1513 a 1524, onde o encontrou abundantemente cultivado.
Actualmente também se cultiva nas regiões tropicais e subtropicais da América, na África Oriental e Ocidental e nas índias Orientais.

O amendoim apresenta a particularidade de poder amadurecer os frutos debaixo da terra, donde lhe deriva o nome latino (hypogeus = subterrâneo). Nos países civilizados utilizam-se as sementes maduras ou tostadas como alimento saboroso.

Composição e propriedades como fruto oleaginoso

Mediante pressão a frio (1ª e 2ª extracção) obtém-se um azeite de cozinha excelente e de muito bom sabor, ao passo que mediante pressão a quente (3ª extracção) o azeite que se obtém só se utiliza para o fabrico de sabões. Os amendoins fortemente torrados também se empregam como sucedâneos do café. O subproduto resultante das extracções (torta de amendoim, farinha de amendoim) forma um magnífico alimento que com pequenas quantidades de gordura contém uma elevada proporção de proteína (28 %).

Os amendoins procedentes da Africa são os que produzem o melhor azeite, e os da índia, os de mais baixa qualidade, ao passo que os japoneses costumam dar os maiores rendimentos. A percentagem de azeite pode chegar a 40-50 % de media, incluindo 53 % nos de origem tropical. Os cultivados nas zonas temperadas costumam atingir 25 ou 20 %, pelo que o seu cultivo não é muito rentável nestas regiões. Nas partes quentes da terra costumam as plantas dar maior quantidade de óleos do que nas frias, já que precisamente a acumulação de gordura nas sementes é um processo especial para lutar contra as altas temperaturas.

Na produção de amendoins estão à cabeça a China e a Índia com 60% do total, seguidas pela África com 30%. Nos mesmos países produtores, consome-se cerca de um quarto da quantidade total produzida.

O produto obtido mediante pressão a frio é um azeite de cor amarela clara, sem cheiro característico e quase insípido. Como todos os azeites e gorduras é uma combinação de glicerina com diversos ácidos gordos, saturados e insaturados. Entre estes últimos encontram-se alguns dos chamados «essenciais», totalmente necessários para o organismo humano, mas que este não pode sintetizar por si mesmo, razão pela qual adquire um enorme valor dietético o óleo de amendoim. Os ácidos gordos essenciais têm um carácter semelhante ao das vitaminas. São imprescindíveis no metabolismo para manter em perfeito estado de saúde a pele e o sistema circulatório, para a defesa contra as infecções no crescimento e para uma respiração normal das células.

Valor dietético

Por estas razões é conveniente o emprego do óleo de amendoim obtido por pressão a frio nas doenças da pele, do coração e do sistema circulatório, e em todas as alterações do metabolismo, às quais pertence também, em último lugar, o cancro.

Deve afastar-se a utilização do óleo de amendoim hidrogenado como alimento ou como meio dietético, porque o processo de redução transforma grande parte dos ácidos gordos não saturados, de grande utilidade para o organismo, como se disse, em ácidos gordos saturados, perdendo, assim o seu valor.

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