O alho do urso (Allium ursinum) pertence à família das Liliáceas, e encontra-se espalhado por toda a Europa. Cresce em geral em tufos nas malas húmidas e sombrias. Quando crescem muito juntos, fazem-se notar pelo típico cheiro a alho que se propaga a grande distância.

O principal elemento que contém é o óleo de alho de urso no qual até agora se comprovou a presença de hidrocarbonetos de enxofre, vinyl-sulfureto e de vinyl-polisulfureto, pequenas doses de mercaptanos e aldeído (Semmler).

Efeitos medicinais

O alho tio urso influi nas glândulas do trato gastrintestinal como excitante, aumentando a secreção de toda a classe de sucos digestivos e especialmente da vesícula. Impede-se o desenvolvimento de todas as bactérias prejudiciais no intestino e descontrai-se toda a musculatura do aparelho digestivo. Elimina os espasmos e cólicas da prisão de ventre nos indivíduos de profissão pobre em actividade física. Como o óleo de alho de urso é expulso em grande quantidade de novo pelos pulmões, actua solucionando as congestões, fomentando a expectoração e acalmando as vias respiratórias. Os eleitos citados constituem, ainda, a base para compreender a eficácia geral sobre a renovação do sangue. Mediante a normalização das condições de digestão e a eliminação da autointoxieação intestinal, produz-se um efeito de descida da pressão sanguínea nos casos de hipertensão. Ao mesmo tempo, e por este mesmo efeito, melhora a circulação das coronárias e aumenta o rendimento do coração, o que não deve menosprezar-se porquanto afecta a capacidade de produção, o estado geral e o comportamento psíquico dos enfermos. Pode-se mesmo comprovar experimentalmente em animais um efeito de igual força contra a esclerose.
Os efeitos vêm a coincidir com os do alho, de modo que se justifica perfeitamente a aplicação do alho de urso como substituto do alho; mas aquele tem de consumir-se fresco por ser mais difícil de conservar.

Utilização como remédio e alimento

1. Em transtornos digestivos, diarreias e prisão de ventre, até de natureza infecciosa, catarro pulmonar e bronquial, dilatação pulmonar, hipertensão e esclerose, transtornos hepáticos e biliares, lombrigas intestinais e oxiuros, especialmente nas infecções, depuração de sangue e desintoxicação do organismo, sobretudo nas curas de Primavera e enfermidades da pele por metabolismo defeituoso.

2. Como salada: as folhas jovens colhidas na Primavera preparam-se simplesmente como salada para consumo. Nesta forma, o efeito depurativo no sangue será sumamente forte. Dispomos assim de uma típica salada silvestre para a cura de depuração de sangue na Primavera.

3. Como condimento: cortadas em pedaços finos, as folhas tenras têm fácil emprego como condimento em saladas, sopas, molhos e guisados de legumes e alimentos crus. Em Iodas as ocasiões o alho de urso pode substituir o alho.

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