Procedente da América tropical, chegou a abóbora (Cucurbita pepo) no século XVI, via Itália, sendo hoje muito apreciada.

Emprego como vermífugo

Não podemos esquecer que a abóbora figura com insistência nos escritos de Hipócrates. A partir de então encontra-se recomendada em todos os antigos e modernos herbolários como um bom meio diurético, e as suas pevides como excelente vermífugo.
As pevides maduras (verdadeiras sementes) contêm uma substância, ainda não conhecida, que diminui a capacidade de adesão da cabeça da ténia. Como excelente meio de expulsão de «solitárias», empregam-se as pevides de abóbora do seguinte modo:

1) Depois de uma dieta absoluta num mínimo de doze horas, as crianças devem consumir de 200 a 400 g e os adultos de 400 a 700 g de pevides de abóbora, sem casca e o mais frescas possível, preparadas com arandos ou leite cru em três doses, dentro do prazo aproximado de três horas. Passadas duas ou três horas, tomar-se-á um purgante, de preferência duas ou três colheradas de óleo de rícino. Não se toma nenhum outro alimento. À noite é conveniente tomar uma salada de cenouras e também arandos crus, pois são ambos vermífugos. Se no dia seguinte as ténias não tiverem sido expulsas (como ocorre na maior parte dos casos), repetir uma vez mais o tratamento.

2) Tomam-se 30 g de pevides de abóbora pulverizadas e misturam-se com 10 g de infusão de absinto, preparando-se uma beberagem que primeiro se deixa destilar durante doze horas num quarto de litro de água fria, coando-se e voltando a destilar durante uma hora num quarto de litro de água fervente. Misturam-se as duas infusões, bebendo-se durante o dia.

3) Para uma cura, esmagam-se 150 g de pevides de abóbora, batem-se num pouco de leite cru e tomam-se.
Duas horas depois toma-se também um purgante.

Outras indicações terapêuticas

Além das pevides de abóbora, também se emprega a polpa destes enormes frutos como um dos meios diuréticos eficazes e não irritantes para as doenças dos rins e do coração que são acompanhadas de hidropisia. Diga-se a este respeito que o emprego de abóbora supõe um apoio nada despiciendo no
tratamento médico das afecções mencionadas. Todas as variedades de abóbora são também laxantes e depuradoras de tóxicos intestinais que elevam a pressão arterial. São sempre recomendáveis na tendência para a prisão de ventre e nas hemorroidas.
Cortam-se quilo e meio a dois quilos de abóbora em pequenas porções, que se fazem em puré espesso, cozidas a fogo lento, adicionando-lhe um pouco de leite. Este puré, embora não seja muito saboroso, consome-se durante um dia, sem se tomar nenhuma outra espécie de alimento. Estas dietas de abóbora, que devem efectuar-se com a maior frequência possível, expulsarão a água excedente em muitos casos. Como se disse, só hão-de servir de elemento de apoio ao tratamento médico e nunca se procurará substituí-lo por tal processo.

Emprego como alimento

Pode usar-se a polpa sumarenta e dourada da abóbora de modo conveniente a obter um alimento complementar nutritivo, saboroso e são. Em qualquer salada de frutas ou salada com pepinos e maçãs, doce ou ácida, conforme se preferir, ou mista de batatas, alface ou chicória, e como flan, legume ou salsa. Deve empregar-se na preparação de quase todas as marmeladas, especialmente na de ameixas, para variar o sabor e dobrar a quantidade, o que se torna um benefício na economia doméstica.

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